Paisagista revela plantas que amam água

Morar em regiões onde a chuva é constante pode dificultar a manutenção de um jardim bonito. Enquanto algumas plantas sofrem com o excesso de água, outras se desenvolvem com mais vigor quando o solo permanece molhado.

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A professora e paisagista Lucia Borges selecionou dez espécies que se adaptam bem a ambientes chuvosos e podem transformar jardins, quintais e áreas próximas a fontes de água em espaços verdes e exuberantes.

Papiro (Cyperus papyrus)

O papiro é uma das plantas mais tradicionais para solos úmidos. Lucia explica que pode ser cultivado tanto em terrenos constantemente molhados quanto dentro de lagos ornamentais, por ser uma planta palustre.

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Além de formar maciços elegantes, a espécie cresce rapidamente graças aos seus rizomas e pode ultrapassar dois metros de altura em locais bem iluminados. Existem variedades mais compactas, ideais para vasos e pequenos jardins.

Cavalinha (Equisetum hyemale)

A cavalinha se destaca pelo formato vertical e pela aparência que lembra pequenos bambus. Conforme a paisagista, trata-se de uma planta ancestral que evoluiu em ambientes naturalmente úmidos.

Como tem crescimento rápido e rizomas subterrâneos, o recomendado é cultivá-la em vasos ou canteiros delimitados para evitar que se espalhe pelo jardim.

Inhame-preto (Colocasia esculenta)

Também chamada de colocásia, essa planta impressiona pelas folhas grandes e escuras. A professora destaca que pode ser cultivada tanto diretamente no solo quanto em áreas alagadas.

Quanto maior o calor e a umidade, mais exuberante fica sua folhagem. Por isso, é uma excelente opção para jardins tropicais e locais com solo constantemente úmido.

Taboa (Typha domingensis)

Comum em brejos e áreas alagadas, a taboa é uma espécie nativa das Américas que se adapta facilmente a terrenos encharcados. Indicada para jardins amplos ou áreas próximas a lagos, seu porte alto e inflorescências cilíndricas criam um visual naturalista.

Bambu-da-sorte (Dracaena sanderiana)

Apesar do nome, o bambu-da-sorte pertence ao gênero das dracenas. Ele tolera bem ambientes úmidos e pode ser cultivado até em recipientes com água, sistema conhecido como hidrocultura. Além da facilidade de cultivo, é uma opção interessante para trazer leveza e verticalidade tanto aos jardins quanto aos ambientes internos.

Crino (Crinum asiaticum)

O crino, também chamado de lírio, é uma planta bulbosa de grande porte bastante resistente, formando maciços densos e produzindo flores perfumadas que ficam ainda mais exuberantes durante os períodos de chuva.

Dependendo da espécie, as flores podem ter diferentes formatos e tons de branco ou rosa, tornando-se um dos destaques dos jardins tropicais.

Cana-da-índia (Canna indica)

Rústica e muito ornamental, a cana-da-índia aprecia sol, calor e bastante água. De acordo com Lucia, em solos úmidos ela cresce com vigor e floresce diversas vezes ao longo do ano.

Existem variedades com flores vermelhas, amarelas, laranjas e rosadas, além de folhagens verdes, arroxeadas ou variegadas, ampliando seu uso no paisagismo.

Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium)

Também conhecido como gengibre-branco, o lírio-do-brejo se desenvolve melhor durante os períodos chuvosos. A paisagista explica que se trata de uma planta rizomatosa, com um tipo de caule que cresce horizontalmente sob o solo.

Por causa dessa característica, a espécie pode desaparecer durante a estiagem e rebrotar naturalmente com a volta das chuvas. Suas flores perfumadas ajudam a criar um ambiente tropical e atraem polinizadores, como beija-flores.

Helicônia (Heliconia spp.)

As helicônias são consideradas um símbolo dos jardins tropicais. Elas gostam de calor, espaço e solo constantemente úmido. Existem diversas espécies, muitas brasileiras, capazes de formar grandes maciços ornamentais. Além das inflorescências coloridas, atraem beija-flores e outros polinizadores.

Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)

Fechando a lista, o copo-de-leite é uma das plantas ornamentais mais tradicionais para locais úmidos. A espécie prefere meia-sombra e solos sempre frescos, podendo ser cultivada em canteiros, margens de lagos ou vasos. Suas elegantes inflorescências também fazem sucesso em arranjos florais.

A dica da paisagista para jardins em regiões chuvosas

Embora essas espécies sejam naturalmente adaptadas a ambientes úmidos, isso não significa que possam ficar em qualquer tipo de solo. Segundo a professora, as raízes também precisam de oxigênio para respirar.

Por isso, preparar bem a terra é fundamental. O recomendado é incorporar matéria orgânica ao solo, melhorando sua estrutura e permitindo um equilíbrio entre água e circulação de ar. Esse cuidado favorece o desenvolvimento saudável das plantas e reduz problemas causados pelo excesso de umidade, como o apodrecimento das raízes.

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