Grande perigo: os riscos da união de Pazolini com PL, Flávio e Magno

A união entre Republicanos e PL no Espírito Santo é uma realidade. Lorenzo Pazolini manifestou publicamente seu apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e, como contrapartida, recebeu o endosso do filho mais velho de Jair Bolsonaro para disputar o governo capixaba. Os dois se abraçaram diante da plateia bolsonarista durante o encontro estadual do PL em Vitória, no último sábado.

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As vantagens dessa união político-eleitoral para Pazolini já foram amplamente discutidas. No entanto, o acordo selado por Flávio e Magno Malta pode conter armadilhas que surgirão ao longo da campanha.

O primeiro ponto evidente são as concessões que Pazolini precisou fazer para assegurar o apoio do PL. Não foram pequenas.

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Desde o começo das negociações, o principal objetivo do Republicanos, comandado no estado por Erick Musso, era garantir que o partido da família Bolsonaro integrasse a coligação de Pazolini. Mais do que o PSD, mais do que a Federação União Progressista (que optou por Ricardo Ferraço), mais do que qualquer outra sigla. Esse objetivo foi atingido. Mas qual foi o custo?

Para conquistar o apoio do PL sob comando de Magno Malta, presidente estadual da legenda, o Republicanos teve que cumprir uma série de exigências impostas pelo senador. Não pela executiva estadual do PL, nem por um grupo de dirigentes. No PL capixaba, a palavra de Magno é soberana há décadas. A negociação ocorreu diretamente com ele, de forma individual, e era necessário convencê-lo. Os compromissos assumidos por Pazolini envolvem:

  • A indicação de Maguinha Malta (PL), filha do senador, como primeira candidata ao Senado na coligação de Pazolini, com declaração expressa de apoio do candidato a governador (cumprido);

  • Declaração explícita de apoio de Pazolini a Flávio para a Presidência, com empenho real na campanha do senador fluminense (cumprido);

  • Alinhamento com o discurso do PL, defesa incondicional de Jair Bolsonaro e reverberação das pautas prioritárias do bolsonarismo (parcialmente cumprido por Pazolini até o momento).

Mas o que significa exatamente essa “agenda bolsonarista”? Quais são as pautas prioritárias do PL sob a liderança de Magno?

Uma demonstração perfeita, da qual o próprio Pazolini foi espectador privilegiado do seu lugar no palco, ocorreu no evento de Flávio em Vitória, especialmente no discurso de Magno Malta. Foi uma amostra do que há de mais radical na ideologia bolsonarista.

Se seguirmos o raciocínio de Magno e de outras lideranças do PL, a “agenda bolsonarista” inclui desde o combate à “ideologia de gênero” até a defesa da política armamentista de Jair Bolsonaro; da crença de que vacinas são prejudiciais à certeza de que as urnas eletrônicas são fraudadas; da “extirpação ad eternum da esquerda” (expressão usada por Magno no sábado) à veneração de Donald Trump; do “combate ao comunismo” (inclusive o chinês) à prisão do presidente Lula; da anistia geral aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela trama golpista ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O impeachment de ministros, especialmente o de Alexandre de Moraes, foi o tema mais repetido no evento. Este também foi uma demonstração clara da fusão entre religião, fé e política, em uma mescla de showmício gospel com culto eleitoral.

Em determinado trecho de sua fala, uma mistura de discurso político com pregação pastoral, o senador apresentou teorias conspiratórias sobre futebol. Magno afirmou estar convencido de que “não deixaram Neymar entrar em campo na Copa porque ele é cristão e conservador”, razão pela qual o perseguem; em contrapartida, seria necessário torcer pela Argentina na final da Copa do Mundo, “porque Milei tem que ser reeleito”.

Esse é o perfil de Magno Malta. É ele que acaba de subir no palanque de Pazolini, trazendo consigo todas essas ideias que, em grande parte, jamais foram defendidas por Pazolini em sua trajetória como deputado estadual, prefeito ou candidato.

Pazolini nunca utilizou um discurso radical para se eleger. Nem nacionalizou suas campanhas, nem apostou na polarização ideológica, seja como candidato, seja como prefeito.

E aqui reside o primeiro grande questionamento: estaria Pazolini realmente disposto a abraçar uma pauta tão radical, a adotar, ainda que parcialmente, esse tipo de discurso na campanha e a nacionalizar a tal ponto uma disputa estadual?

Uma coisa é literalmente abraçar Flávio e receber seu abraço. Outra, bem diferente, é abraçar por completo a agenda representada pelo presidenciável e, sobretudo, por seu pai.

Em seus quatro minutos de discurso, afirmou ter “muito em comum” com seus novos aliados eleitorais; sem mencionar diretamente o “impeachment de ministros”, fez uma breve referência ao Senado, que, segundo ele, “tem um papel primordial, de trazer equilíbrio entre as instituições”; declarou apoio a Maguinha e disse que, votando nela, os capixabas poderão “expressar a sua indignação com essas injustiças que estão acontecendo em nosso país”.

No entanto, o ex-prefeito optou por usar a maior parte de seu tempo para destacar outra pauta mais concreta: os bons índices de Vitória no combate aos feminicídios e à violência contra a mulher.

Em um diálogo certamente alinhado nos bastidores, sugeriu a Flávio que incorporasse ao seu plano de governo a iniciativa de Vitória, sugestão imediatamente aceita, diante do público, pelo presidenciável do PL.

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