Coreia do Sul oferecerá IA generativa gratuita e ilimitada para toda a população

A Coreia do Sul está estruturando um projeto de acesso gratuito e sem restrições à inteligência artificial generativa, algo que pode transformar a maneira como milhões de pessoas interagem com a IA no cotidiano. Em vez de limitar funcionalidades por meio de assinaturas mensais ou cotas de mensagens, o governo pretende disponibilizar um assistente digital acessível a toda a população, facilitando atividades como estudar, pesquisar, redigir documentos e tirar dúvidas.

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Essa iniciativa integra o programa AI for All, coordenado pelo Ministério da Ciência e das Tecnologias da Informação e Comunicação (MSIT). A proposta prevê a seleção de duas a três empresas para criar uma plataforma nacional baseada prioritariamente em modelos de linguagem desenvolvidos na própria Coreia do Sul. A previsão é iniciar testes públicos em setembro de 2026 e expandir a disponibilidade do serviço até o final do mesmo ano.

Reduzir a dependência de assinaturas pagas de IA

Atualmente, os assistentes de inteligência artificial mais conhecidos costumam dividir os usuários entre planos gratuitos, com limites de mensagens e recursos e versões pagas, que oferecem modelos mais avançados e maior capacidade de uso.

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A estratégia sul-coreana segue uma direção diferente. A ideia é que qualquer cidadão possa utilizar a plataforma sem contratar um plano premium, diminuindo a diferença entre quem pode pagar pelas ferramentas mais completas e quem depende exclusivamente das versões gratuitas.

Na prática, isso significa que tarefas como resumir documentos, organizar estudos, elaborar apresentações, revisar textos, traduzir conteúdos ou realizar pesquisas poderão ser executadas sem a preocupação constante com cotas de utilização.

O projeto vai além de um chatbot tradicional

Embora a interface de conversa seja o elemento mais aparente, o governo pretende construir um sistema mais abrangente.

Além de responder perguntas, a plataforma deverá evoluir para atuar como um agente digital capaz de localizar serviços públicos, orientar cidadãos sobre benefícios disponíveis e auxiliar no preenchimento de solicitações administrativas.

Esse tipo de arquitetura aproxima a IA de um assistente pessoal permanente, que pode acompanhar diferentes tarefas do dia a dia em vez de funcionar apenas como um mecanismo de perguntas e respostas.

Modelos nacionais terão prioridade

Outro ponto importante do programa é a valorização da indústria local de inteligência artificial.

O edital determina que pelo menos metade da tecnologia utilizada seja baseada em modelos fundamentais desenvolvidos na Coreia do Sul. Empresas como Naver, Kakao, SK Telecom, KT, LG Uplus e LG AI Research estão entre os grupos que podem participar do projeto ou fornecer tecnologias para sua implementação.

Essa exigência busca reduzir a dependência de plataformas estrangeiras e fortalecer o ecossistema nacional de IA.

Infraestrutura robusta será necessária para atender milhões de usuários

Oferecer acesso ilimitado exige uma capacidade computacional muito superior à utilizada em serviços tradicionais.

Para sustentar o programa, o governo informou que disponibilizará inicialmente 512 GPUs Nvidia B200, aceleradores da arquitetura Blackwell, projetados especificamente para cargas intensivas de inteligência artificial.

Esses processadores serão responsáveis pela execução das inferências dos modelos de linguagem, etapa em que a IA interpreta cada pergunta recebida e produz uma resposta em tempo real.

Além da infraestrutura inicial, também existe previsão de apoio financeiro para manter a operação nos próximos anos, reduzindo parte do custo normalmente repassado aos usuários por meio de assinaturas.

A IA pode passar a funcionar como um serviço essencial

Talvez a maior mudança não esteja na tecnologia em si, mas na forma como ela será distribuída.

Até agora, os assistentes mais avançados cresceram como produtos comerciais. O projeto sul-coreano propõe tratá-los como uma infraestrutura digital capaz de atender toda a população, aproximando a inteligência artificial de serviços considerados essenciais, como internet de alta velocidade ou plataformas públicas de informação.

Caso a implementação siga o cronograma previsto, a iniciativa poderá servir como referência para outros governos interessados em ampliar o acesso à IA sem depender exclusivamente das plataformas privadas.

Ainda assim, o programa precisará enfrentar desafios importantes relacionados à proteção de dados, confiabilidade das respostas, custos operacionais e escalabilidade antes de alcançar milhões de usuários simultaneamente.

Mesmo nessa fase inicial, a proposta já sinaliza uma mudança relevante: a inteligência artificial pode deixar de ser uma ferramenta disponível apenas para quem paga mensalidades e começar a fazer parte da infraestrutura digital utilizada por toda uma sociedade.

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