Apesar de o consumo de café na China ainda ser bem inferior ao registrado em países tradicionalmente consumidores, a bebida vem conquistando espaço entre os chineses. Esse movimento abre caminho para a expansão dos cafés brasileiros no mercado chinês.
A cooperativa Expocacer, localizada no Cerrado Mineiro, firmou uma parceria com a empresa chinesa Donna Jannie para levar ao mercado de Xangai uma seleção de microlotes produzidos por mulheres integrantes do programa Elas no Café. O primeiro carregamento saiu do Brasil em junho e reúne cafés especiais escolhidos para atender diferentes perfis de consumidores chineses.
A colaboração começou a ser planejada após a empresária chinesa Jian Xueya conhecer o programa Elas no Café durante uma visita à Expocacer em 2022. A previsão é que os embarques ocorram de forma contínua, com novas remessas ao longo dos próximos meses.
Atualmente, o programa conta com aproximadamente 140 produtoras associadas à cooperativa, responsáveis pela produção de mais de 534 mil sacas de café em propriedades do Cerrado Mineiro. Os cafés foram selecionados para oferecer diferentes perfis sensoriais ao mercado chinês, que registra aumento da demanda por cafés especiais. Embora o consumo per capita ainda seja baixo em relação a mercados consolidados, o crescimento das cafeterias e o interesse por bebidas preparadas com grãos de maior qualidade têm impulsionado esse segmento.
Em comunicado à Expocacer, Jian Xueya explicou que o consumidor chinês também passou a distinguir cafés especiais dos convencionais, o que ampliou a disposição para pagar mais por grãos de origem. Além da venda para consumidores finais, os cafés brasileiros serão distribuídos a cafeterias e apresentados em sessões de degustação.
A estratégia também busca ampliar o reconhecimento da origem do café brasileiro na China. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, em 2025, a China importou 1,123 milhão de sacas de 60 quilos de café brasileiro. Esse volume correspondeu a 2,8% das exportações nacionais e colocou o país na décima posição entre os principais destinos do produto brasileiro.







