Estudos realizados por equipes da Royal Holloway University of London, da University College London, da Universidade de Tübingen e da Universidade da Califórnia em Los Angeles têm explorado um sentido pouco divulgado, porém atuante constantemente no corpo humano. Denominado interocepção, ele capacita o cérebro a captar e decifrar os sinais que vêm do interior do organismo.
Esse mecanismo reconhece variações nos batimentos cardíacos, na respiração, na temperatura corporal, na sensação de fome, de sede e na tensão muscular. Essas informações auxiliam o corpo a preservar o equilíbrio interno e a responder corretamente quando alguma função precisa ser ajustada.
Em uma análise de 93 artigos científicos, as psicólogas Jennifer Murphy e Freya Prentice examinaram as possíveis conexões entre a interocepção e quadros como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e distúrbios alimentares.
- Pesquisadores da Royal Holloway, UCL, Universidade de Tübingen e UCLA investigaram a interocepção, sentido que detecta sinais internos do corpo.
- Em revisão de 93 estudos, as psicólogas Jennifer Murphy e Freya Prentice relacionaram déficits de interocepção a ansiedade, depressão, TEPT e distúrbios alimentares.
- O estudo aponta que a incapacidade de perceber batimentos, respiração ou fome pode interferir na saúde mental, como na ansiedade que amplifica a sensação de perigo.
- Pesquisa publicada na eBioMedicine analisou como a fome influencia o humor, reforçando a conexão entre sinais corporais e estado emocional.
As evidências indicam que falhas na percepção ou na interpretação dos sinais corporais podem impactar o bem-estar psicológico. Uma pessoa que sofre de ansiedade, por exemplo, pode sentir de forma intensa o coração acelerado durante uma conversa e interpretar essa reação como um indicativo de perigo iminente.
Um artigo divulgado na revista científica eBioMedicine também examinou como a fome afeta o estado emocional. Cientistas da Universidade de Tübingen notaram que indivíduos com uma percepção interoceptiva mais apurada demonstravam menos alterações de humor quando estavam com fome.
Eles ainda sentiam a necessidade de comer, mas pareciam gerenciar melhor os efeitos dessa sensação sobre a disposição.
A interocepção também tem sido investigada em pacientes com anorexia nervosa. Especialistas da UCLA empregaram uma cápsula vibratória que é ingerida para avaliar a percepção das sensações intestinais.
Os achados sugerem que pessoas com anorexia podem processar esses sinais de maneira distinta, mesmo após recuperarem o peso. Essa diferença pode contribuir para que alguns sintomas permaneçam mesmo com o tratamento.
A área ainda gera controvérsias. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts apontam que o termo interocepção pode englobar processos muito variados e simplificar excessivamente a forma como o organismo capta suas sensações internas.
Apesar das discordâncias, as pesquisas revelam que a experiência sensorial humana vai além dos cinco sentidos tradicionalmente ensinados. Entender como o cérebro interpreta os sinais internos poderá impulsionar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para transtornos mentais e alimentares.







