Ucrânia e 9 países formam coalizão contra mísseis balísticos na Europa

A Ucrânia e mais nove nações comunicaram a criação de uma coalizão com o objetivo de defender a Europa de mísseis balísticos, utilizando o conhecimento adquirido por Kiev no conflito contra a Rússia, que já se estende por mais de quatro anos.

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“Nosso propósito é desenvolver uma capacidade coletiva de defesa antimísseis balísticos para o continente europeu”, declararam os dez países em nota publicada em Paris, durante um encontro com o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski.

Zelenski buscava obter o respaldo de aproximadamente vinte líderes para implementar ações contra os lançamentos de mísseis russos que vêm causando destruição na Ucrânia e elevando o temor de outras nações europeias quanto às intenções expansionistas de Moscou na região.

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Zelenski e os governantes da Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido e Suécia manifestaram que reconhecem “a ameaça crescente dos mísseis balísticos”, os quais apresentam maior dificuldade de interceptação em comparação com mísseis de cruzeiro e drones.

“Entendemos que a proteção da Europa requer uma abordagem completa, materializada em uma estrutura integrada de defesa antimísseis, apta a prevenir e anular ameaças futuras”, declarou a nota. “Valorizamos a experiência singular da Ucrânia, obtida na resistência à guerra de agressão conduzida pela Rússia.”

A nota não estabeleceu um cronograma para a implantação do sistema de defesa e indicou que a iniciativa continua disponível para a participação de outras nações.

Putin não sinaliza recuo

O presidente russo, Vladimir Putin, manteve-se inflexível e garantiu uma resposta “dura” aos recentes bombardeios de longo alcance realizados por Kiev contra refinarias, petroleiros e terminais, os quais geraram uma significativa falta de combustível.

“Em qualquer local onde tentarem atingir o território russo, retaliaremos de forma proporcional, mas nossas ofensivas serão múltiplas vezes mais intensas”, disse Putin em encontro com militantes alinhados ao Kremlin.

Os chanceleres europeus realizaram uma reunião à parte em Bruxelas para debater as demandas da Ucrânia e os riscos impostos pela Rússia ao continente.

Zelenski procura acelerar, em parceria com as nações europeias, as iniciativas para reforçar a defesa aérea ucraniana antes da chegada do inverno, período em que a Rússia geralmente amplia suas ofensivas para privar os ucranianos de energia elétrica, aquecimento e água.

Representantes ucranianos estiveram em Paris para submeter uma iniciativa de Programa Antimísseis Balísticos e dialogar com chefes de governo, conselheiros de segurança nacional e companhias de defesa com potencial para integrar o projeto, conforme informou Zelenski.

O compromisso assumido na semana anterior pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de autorizar a Ucrânia a fabricar sistemas de defesa aérea Patriot voltados contra mísseis balísticos pode constituir um progresso relevante para Kiev. Contudo, especialistas e autoridades ucranianas advertem que a concretização da proposta demandaria provavelmente anos. Também não há clareza sobre o prazo necessário para o desenvolvimento de um sistema europeu.

Líderes europeus demonstram compromisso com Kiev

O encontro em Paris da denominada Coalizão dos Dispostos, que agrega mais de 30 nações e aproximadamente 25 líderes de Estado e governo, aparentou ser uma mostra de engajamento duradouro com a Ucrânia e uma mensagem à Rússia, enquanto Moscou avalia a capacidade de suporte da Europa.

A ida de Zelenski a Paris aconteceu depois do falecimento do senador norte-americano Lindsey Graham, um dos mais dedicados defensores de Kiev em Washington. O parlamentar ucraniano Oleksandr Merezhko descreveu Graham como “a ponte mais forte entre a Ucrânia, nosso presidente e Trump”.

A visita também se dá em um contexto de grande reestruturação no governo de Zelenski, depois da renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko.

O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, declarou que convocará o embaixador russo em Paris e imporá sanções a hackers russos. Em entrevista à BFMTV-RMC, ele afirmou que a situação abrange “uma vasta operação cibernética de sabotagem e espionagem orquestrada pela Rússia em aproximadamente dez nações europeias”.

As nações vizinhas à Ucrânia também estão sofrendo as consequências do conflito. No caso mais recente, um drone lançado durante bombardeios noturnos russos contra a região ucraniana de Odessa caiu e explodiu em solo da Moldávia, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores moldavo. A pasta considerou o ocorrido como “grave e inaceitável”.

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Sidnei Vicente

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