Ex-executiva do Xbox alerta: ‘Digital é conveniente até deixar de ser’

À medida que o setor de games se encaminha para um futuro predominantemente digital, uma das profissionais que ajudaram a criar o primeiro Xbox entende que os jogadores deveriam dar muito mais importância ao que podem perder com essa transformação.

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Laura Fryer, que fez parte da equipe fundadora do Xbox original, criticou a decisão do PlayStation de interromper a fabricação de jogos físicos a partir de 2028. Para ela, a mudança ultrapassa a praticidade: um ambiente totalmente digital coloca o domínio sobre a posse dos jogos nas mãos das plataformas, o que pode levar os jogadores a perder o acesso a títulos pelos quais já pagaram.

A história do Rock Band expõe os perigos da propriedade digital

Em um vídeo recente postado em seu canal no YouTube, Fryer relatou uma vivência pessoal com Rock Band, jogo que se tornou uma tradição familiar por muitos anos.

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Segundo ela, sua família gastou centenas de dólares comprando músicas por meio de DLCs. Contudo, quando o Xbox original parou de funcionar e foi substituído por um modelo mais recente, essas músicas não puderam mais ser baixadas, pois haviam sido removidas da loja digital devido ao término de contratos de licenciamento. “No final, simplesmente desistimos. Desistimos do nosso jogo favorito para jogar em família”, afirmou.

Para Fryer, esse não foi apenas um problema técnico isolado, mas uma demonstração do que pode ocorrer com muito mais frequência se a indústria abandonar totalmente a mídia física. “Quando as pessoas me perguntam o que acho do recente anúncio da Sony de que está migrando completamente para o digital, é disso que me lembro”, declarou.

“Outra pessoa pode decidir que você já teve o suficiente”

Fryer encerrou sua reflexão retornando ao episódio que despertou suas preocupações. Para ela, perder o acesso à biblioteca de músicas de Rock Band da família não significou apenas deixar de acessar um conteúdo digital, mas também perder recordações construídas ao longo dos anos.

Em sua visão, a mídia física continua sendo a forma mais segura de posse, pois permite que os jogadores mantenham acesso aos seus jogos independentemente de disputas de licenciamento ou do fechamento de lojas digitais.

“O digital é conveniente até que outra pessoa decida que você já teve o bastante. Existem jogos e filmes dos quais nunca vou me cansar. A mídia física oferece propriedade de verdade. No meu caso, ela teria protegido essas memórias insubstituíveis”, concluiu.

À medida que mais empresas adotam a distribuição exclusivamente digital, as declarações de Laura Fryer reforçam um debate cada vez mais presente na indústria: comprar um jogo digital significa realmente possuí-lo ou apenas alugar o direito de acessá-lo enquanto a plataforma permitir?

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