Alegre, 12 de junho de 2026.
(Nota da autora: Este texto foi escrito no dia 10 de junho. Ou seja, tracei estas linhas antes mesmo de vivenciá-las hoje. Espero ter acertado a data em que o senso comum celebra o Dia dos Namorados).
Sempre fui uma mulher de poucas paixões pelos outros. No entanto, quando me entrego, mergulho fundo. Por causa dessa intensidade, voltar à superfície costuma ser penoso, doloroso; quase me afogo. Mas há alguma força — que não reside em mim, mas no próprio mundo — que me faz empurrar os pés contra o fundo e voltar a ver o sol.
Como as cigarras, após um tempo escondida sob a terra, eu sempre volto a cantar. É bem verdade que o meu canto guarda uma melancolia, pois, em muitos momentos, o desejo era o de permanecer no fundo, escondendo a própria fragilidade e a complexidade de estar de volta. Há uma tristeza que me acompanha, um peso que por vezes me faz questionar a permanência neste mundo e desejar o fim do sofrimento. Minha fé nos moldes tradicionais silenciou há tempos, mas é justamente nessa crueza da alma que me faço poeta: capaz de traduzir os sentimentos profundos, nem sempre bonitos, em palavras palpáveis.
Mas voltemos ao Dia dos Namorados.
Hoje, vivo um amor verdadeiramente inabalável. O meu amado suporta as minhas crises mais profundas, além de ser amoroso e carinhoso com os meus filhos. Digo que esse afeto é indestrutível porque ele resistiu mesmo quando os dias foram caóticos e difíceis. Houve momentos em que o fim pareceu inevitável, mas ele retornou. Voltou para a casa, para o lar que estamos construindo juntos, dia após dia.
Se me perguntarem sobre presentes, respondo que os recebo diariamente. Vê-lo ao meu lado, testemunhar o seu incentivo constante às minhas ideias, que tantas vezes não passam de ilusões, é o meu maior presente. Ele conhece o meu sofrimento, os meus dias escuros e a densidade da minha jornada.
E o que posso entregar em troca? Respeito, cumplicidade e uma entrega sem fim. É o amor que ofereço por inteiro, mesmo quando a alma arde. Este sentimento desafia as tempestades. Seguimos nós, você e nossos filhos, celebrando o que há de mais real enquanto durar a nossa existência.






