Um estudo inédito no Brasil realizado pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (CCS/Ufes) revelou dados preocupantes sobre a alimentação infantojuvenil em Vitória. Estudantes de 6 a 17 anos consomem, em média, 8,8 gramas de sal por dia, quase o dobro do limite máximo de 5 gramas diárias recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Batizado de Projeto Kids Sal, o levantamento avaliou 516 estudantes de 12 escolas públicas e privadas da capital capixaba entre abril de 2024 e novembro de 2025. Coordenada pelo professor José Geraldo Mill, a pesquisa preenche uma lacuna nacional, já que os dados anteriores do governo monitoravam apenas o público adulto.
Riscos à saúde e o papel dos ultraprocessados
Os pesquisadores alertam que o consumo excessivo acelera o risco precoce de pressão alta e doenças cardiovasculares. O estudo constatou que 4% dos jovens avaliados em Vitória já apresentam níveis compatíveis com pré-hipertensão ou hipertensão. A longo prazo, esse padrão eleva as chances de infarto, derrame e formação de cálculos renais.
De acordo com o diagnóstico, o consumo aumenta com a idade e é ainda mais alto entre os meninos de 14 a 17 anos, que atingem a média de 9,5 gramas diárias. O grande vilão apontado pela pesquisa é o consumo de alimentos ultraprocessados, como:
Embutidos, carnes salgadas e queijos;
Salgadinhos de pacote e biscoitos do tipo chips;
Temperos prontos e comidas congeladas industrializadas.
Recomendações dos especialistas para os pais
Para tentar reverter esse cenário e reeducar o paladar dos jovens, os pesquisadores do Projeto Kids Sal formularam três orientações práticas:
Redução gradual: Diminuir o sal aos poucos no preparo das refeições para que a criança se adapte aos sabores naturais dos alimentos.
Retirada do saleiro: Eliminar o saleiro da mesa de jantar para evitar a adição extra de sal na comida já pronta.
Controle de industrializados: Evitar a compra e o consumo rotineiro de embutidos, salgadinhos e temperos prontos.
Avanço científico: Além do alerta de saúde, a Ufes validou uma fórmula que permite estimar o consumo de sódio por meio de uma única amostra de urina, dispensando a complexa coleta de 24 horas. A descoberta foi financiada pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde, abrindo portas para um futuro censo nacional nas escolas brasileiras de forma mais barata e rápida.






