Conhecido por seus altos custos e pela excelência em hotelaria e serviços de alta qualidade, muitos imaginam que todo o turismo no país se resume ao luxo. Entretanto, a realidade é mais plural. Há alternativas para diferentes orçamentos e experiências gratuitas, como apreciar e nadar nos lagos durante o verão ou sentir a neve no rosto no inverno, entre uma descida de esqui e outra – atividade que já começa a pesar no bolso.
Focado especificamente no segmento premium, o Switzerland Tourism criou uma divisão exclusiva para esse nicho, liderada por Pascal Prinz. Além disso, estabeleceu os alicerces do Luxo Silencioso que pretende oferecer aos viajantes e promoveu um evento direcionado a operadores e agentes especializados, o STM Luxury, realizado em meados de junho em Crans-Montana, nos Alpes Suíços.
Durante o encontro, Pascal Prinz e Mara Pessoa, gerente no Brasil, falaram com a PANROTAS sobre a abordagem para o mercado de viagens de alto padrão.
- A segunda edição do STM Luxury já está confirmada para os dias 22 a 24 de março, em St. Moritz, ainda na temporada de inverno.
- A Suíça também promoverá o STM global, em setembro, em Zurique, que agora ocorre a cada dois anos.
- Um evento exclusivo para brasileiros será realizado em junho, em St. Gallen, região de origem da família de Roger Federer. A previsão é levar cerca de 40 operadores e agentes de viagens brasileiros.
Por que criar um departamento dedicado ao luxo?
Pascal Prinz explica que estudos globais indicam que o mercado de luxo deve dobrar nos próximos dez anos. O país acredita ter o produto certo para crescer nesse segmento, priorizando um crescimento de alta qualidade e valor, não apenas volume. Além disso, o turismo suíço começou justamente com hotéis de luxo, frequentados por realezas, como a rainha da Inglaterra, que se hospedava no Beau-Rivage Palace, em Lausanne. Essa herança, que deu origem a escolas de hotelaria como a École Hôtelière de Lausanne, é motivo de orgulho e deve ser mostrada ao mundo, inclusive aos brasileiros.
Experiências além da hotelaria
O principal objetivo, segundo Pascal, é consolidar a Suíça como um destino de luxo único. Embora os hotéis já dominem o conceito de luxo, o foco atual está nas experiências. Por isso, investe-se em treinamento de fornecedores para atender hóspedes de luxo de diferentes origens. Um exemplo é o Legends of Lake Lucerne, um cruzeiro gastronômico com menu degustação de sete etapas e capitão vestindo uniforme histórico. Outro é a nova torre do Monte Titlis, projetada pelos arquitetos Herzog & de Meuron, que abriga restaurante e loja Rolex. O luxo também pode ser simples: um piquenique organizado pelo Six Senses, com queijos e vinhos locais, acompanhado por um guia que adapta a caminhada ao ritmo do hóspede. Luxo suíço é oferecer acesso privilegiado à natureza com qualidade e autenticidade, sem necessidade de extravagância.
Nichos de crescimento: longevidade e bem-estar
Pascal acredita que a longevidade será um enorme mercado para o país. As pessoas buscam permanecer jovens, emagrecer e cuidar do corpo, ou seja, bem-estar. A Suíça reúne ingredientes como alimentos de alta qualidade, hotéis excelentes e infraestrutura para oferecer experiências de saúde e longevidade. Em Gstaad ou Bad Ragaz, não se trata apenas de spas, mas de tratamentos especializados, exames e programas voltados à saúde.
Seleção rigorosa para o STM Luxury
Os compradores foram escolhidos com critério. Metade veio de indicações dos hotéis Swiss Deluxe, que perguntaram quem eram seus melhores compradores. A outra metade foi convidada pelas equipes locais, como Mara Pessoa no Brasil. Não bastava ser um operador interessado em novidades: precisavam ser consultores especializados em viagens de luxo, com portfólio ou interesse concreto em vender o destino, e tiveram que apresentar referências de hotéis já reservados. O mesmo rigor se aplicou aos fornecedores, com uma categoria Diamond Partners que reúne destinos com produtos de luxo que investem junto ao Turismo da Suíça.
Evolução do projeto
Esta é a primeira edição dentro do novo modelo, que elevou o evento a outro nível. Agora há uma estratégia global, critérios definidos e uma visão clara do conceito de “luxo silencioso”, sustentado por três pilares. Antes, cada pessoa interpretava o luxo de forma diferente, mas hoje a base é sólida.

Crescimento do mercado de luxo no Brasil
Mara Pessoa destaca que os números mostram um crescimento superior a 400% em relação a 2019, impulsionado pelo segmento de luxo. A estratégia no Brasil é totalmente focada nesse mercado, com ações de marketing e relacionamento com o trade. Os agentes de viagens evoluíram, passando de receptores de pedidos para ofertantes proativos da Suíça, graças à participação em eventos e viagens de familiarização.
Os brasileiros estão entre os turistas que mais gastam no país. Na última temporada de inverno em St. Moritz, o Brasil foi o segundo mercado com maior gasto médio por visitante. Eles ficam mais tempo e gastam mais, evidenciando a qualidade do viajante.
Impacto do turismo de luxo
Pascal explica que o turismo de luxo na Suíça é de alto valor, um caso típico de “menos é mais”. Cerca de 8% das pernoites ocorrem em hotéis cinco estrelas, mas esse segmento responde por 25% da receita turística. Além disso, exerce menos pressão sobre a infraestrutura, gerando um retorno econômico maior.

Overtourism e altas temperaturas
A Suíça não sofre muito com overtourism, embora algumas regiões como Interlaken e Lucerna fiquem movimentadas no verão. O mercado de luxo ajuda a evitar esse problema, pois o objetivo não é crescer a qualquer custo, mas sim com qualidade. Por isso, a ênfase está em mercados de longa distância com público de maior poder aquisitivo, como Brasil, Estados Unidos, México, China e Índia.
A credibilidade, segurança e tradição suíça são vantagens. Pascal percebe que cada vez mais fornecedores incorporam essa visão, desenvolvendo novos trens, cruzeiros de luxo e possibilidades de privatização. Isso mostra que a estratégia foi abraçada pelos parceiros.
O luxo não se constrói rapidamente. Como alguém disse, é construído tijolo por tijolo, sem atalhos. Quem aperfeiçoou isso ao longo de 150 anos, como o Baur au Lac, em Zurique, que permanece na mesma família há oito gerações, sabe exatamente o que está fazendo.







