Aproveitando o clima de Copa do Mundo, cabe perguntar (parafraseando Skank): Quem nunca sonhou em ser jogador de futebol? Muitos certamente já tiveram esse desejo, mas e participar da administração por trás de uma grande partida? Copa City é um título no estilo Tycoon onde é preciso gerenciar toda a estrutura de uma cidade antes de um épico duelo entre equipes mundiais.
O show antes do show
A cidade ganha as cores das duas equipes, e cabe ao jogador coordenar para que essa festa seja perfeita até o apito inicial. Para isso, é necessário atentar a uma série de fatores: garantir diversão, segurança e alimentação dos espectadores em locais específicos, além de evitar que as torcidas se encontrem e gerem conflitos.
Copa City oferece diversas ferramentas e um tutorial completo para entender como cumprir essa missão e ainda realizar objetivos paralelos, aumentando o número de fãs que irão ao jogo. O mapa apresenta terrenos que podem ser adquiridos e equipados com quiosques, mesas de pebolim, balcões de informação, brinquedos, estátuas e totens interativos.
No entanto, o trabalho não para por aí. Além das esquinas da cidade, é preciso cuidar do campo e das arquibancadas dos estádios, desde separar torcedores pacatos dos ultras fanáticos até escolher se haverá vendedor de pipoca e policiamento.
Todas essas opções mostram que Copa City não faz feio perante gigantes do gênero como Two Point ou Roller Coaster Tycoon, utilizando informações oficiais de grandes clubes como Bayern de Munique, Arsenal e Flamengo, com o Maracanã como um dos palcos disponíveis.
Com metas flexíveis, como focar primeiro na diversão e depois na segurança, ou expandir o território enquanto o já construído é mantido funcionando, a variedade de situações é um prato cheio para quem gosta desse tipo de desafio.
Choque de informações
Com essa infinidade de recursos, é normal ter que se habituar a diversas janelas e telas além do mapa principal. Nesse aspecto, Copa City acaba chutando a bola para fora. A análise foi feita no PS5 e ficou claro que, mesmo sendo interessante e desafiador, o HUD opera muito melhor em PC devido ao uso do mouse.
Os botões do DualSense são usados para alternar entre janelas, funções e navegar pelo mapa, mas começam algumas confusões: há um certo atraso ao sair e retornar ao mapa quando se troca de tela; além disso, é necessário pressionar os dois analógicos para acionar o cursor livre, que permite clicar em qualquer parte da tela, porém ao custo de perder a movimentação da câmera. Para voltar a interagir com o ponto de vista, é preciso desativar o cursor livre. Esse vai e vem torna a navegação confusa e difícil de assimilar no primeiro contato.
Seria mais simples se, como em outros jogos com visão aérea, um analógico movesse o cursor, o outro movesse a câmera livremente, e os gatilhos alterassem os ângulos separadamente em vez de apenas auxiliar na variação de proximidade.
Outro problema detectado nessa variação entre usar os botões do controle e o cursor livre está na hora de realizar construções. Com o cursor, escolhe-se o lugar para posicionar um carrinho de cachorro-quente, por exemplo, mas mesmo girando sua posição, ele volta a frente para a posição de seleção. Por outro lado, ele fica voltado para o lado desejado se voltar a usar os botões, mas não é possível escolher sua posição pelo espaço. Essa exigência de alternância é bastante cansativa.
As letras são bem pequenas e não há opção para aumentar a fonte. Com o tempo, navegar pelos menus se torna intuitivo e já se sabe onde clicar só de ler a tela de objetivo, mas ainda assim há momentos em que é preciso consultar para relembrar algumas coisas. Isso também vale para os balões de fala dos companheiros de equipe, que conversam em inglês com ótima dublagem.
Por fim, as telas de loading, apesar de poucas, demoram um pouco, algo inesperado na atual geração de consoles, ainda mais considerando que Copa City não tem gráficos elaborados, sendo um pouco ultrapassados, embora dê a devida beleza aos estádios.
Quem vê close, não vê corre
Copa City oferece um ótimo nível de desafio e um grau mais alto de complexidade para quem gosta de títulos focados em gerenciamento. No entanto, a versão de console poderia ter funções otimizadas para os controles para lidar com a quantidade de informações, além de melhorias de performance geral.
Prós
- As missões aproveitam ao máximo todos os recursos que o jogo oferece;
- Conteúdo baseado em equipes e localidades reais;
- Tutorial completo que aprofunda bem a experiência;
- A parte de lidar com a organização dentro e fora dos estádios é uma boa sacada para adicionar camadas às missões.
Contras
- O HUD é mal-otimizado, colocando diversas informações de maneira desorganizada;
- Jogar com um controle obriga a ficar alternando entre usar o cursor livre e os botões, e ainda assim fica confuso de início;
- Problemas de performance e travamentos;
- Gráficos datados.














