A Receita Federal comunicou que, no âmbito da Operação Timber Shield, realizada em parceria internacional com os Estados Unidos e a Alfândega Nacional da Bolívia, foram detectados indícios consistentes de uso de carregamentos de madeira para o transporte internacional de drogas ocultas na estrutura do material.
Essa aliança internacional entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia foi essencial para descobrir o esquema, com trabalho conjunto entre as alfândegas, os EUA e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico (FELCN) da Bolívia.
Esquema internacional
Esconder substâncias ilícitas como cocaína dentro de cargas de madeira é uma prática criminosa que as autoridades nacionais e internacionais acompanham de perto. O emprego de madeira para contrabando utiliza métodos de disfarce que tentam enganar a inspeção aduaneira e policial em portos e fronteiras.
Os órgãos de segurança apontam que essas tentativas de ocultação visam modificar o aspecto físico da droga para que ela se misture à carga legal.
Com base em dados de inteligência compartilhados, foram adotadas medidas imediatas de monitoramento e fiscalização na fronteira na sexta-feira (19/6), resultando na retenção neste domingo (21/6) de 8 caminhões carregados com madeira, distribuídos da seguinte forma:
- Corumbá (MS): 4 caminhões (~130 toneladas)
- Cáceres (MT): 4 caminhões (~130 toneladas)
- Total estimado: aproximadamente 260 toneladas de madeira sob fiscalização
No início do mês, a Alfândega do Chile apreendeu 100 toneladas de cocaína vindas da Bolívia, empregando o mesmo esquema detectado pela alfândega brasileira na operação deste domingo, ou seja, cocaína líquida misturada à madeira.
Segundo informações fornecidas pelos EUA, as apreensões recentes no Chile e agora no Brasil estão relacionadas entre si, originando-se do mesmo local de produção na Bolívia.
Estimativa de substância ilícita
Considerando ocorrências anteriores com o mesmo método de ocultação, estima-se que entre 10% e 20% do peso da carga possa corresponder a substâncias ilícitas.
As perícias preliminares apresentaram resultado positivo para cocaína. Caso essa hipótese seja confirmada pelas análises técnicas em andamento da perícia criminal da Polícia Federal, o volume potencial atingirá várias toneladas de cocaína, podendo variar aproximadamente de 20 a 50 toneladas.
A Polícia Federal foi acionada e, por meio da perícia criminal federal, está confirmando a presença da cocaína, que tende a ser a maior apreensão já registrada no Brasil.
A Polícia Federal conduzirá a investigação criminal da carga apreendida e assume formalmente a custódia da droga no âmbito criminal para a apuração final do volume encontrado.
Ações operacionais
A operação envolve atuação integrada e coordenada de diversos órgãos:
- Receita Federal do Brasil: coordenação, inteligência e fiscalização aduaneira.
- Exército Brasileiro: segurança das cargas e das áreas de retenção.
- GEFRON (MT): apoio operacional em fronteira.
- Polícias Técnico-Científicas (MT e MS): realização de perícias e análises prévias.
- Polícia Federal: perícia técnica no tráfico internacional de drogas e condução da investigação criminal e custódia.
Todos os procedimentos seguiram rigorosamente os protocolos de cadeia de custódia, garantindo a integridade das evidências.
Cooperação internacional
A operação ocorre em áreas sob regime de Área de Controle Integrado (ACI). As cargas permanecem integralmente em território brasileiro, sob controle das autoridades nacionais.
No âmbito da cooperação internacional, foi assegurado o acesso à Alfândega Nacional da Bolívia para acompanhamento das verificações.
Vale destacar que não há, em qualquer hipótese, possibilidade de retorno das cargas ao território boliviano.
Integração internacional
A Operação Timber Shield evidencia o alto grau de sofisticação das organizações criminosas e reforça a importância da cooperação internacional, especialmente da integração entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia, no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas em larga escala.
Situação atual
As cargas permanecem sob fiscalização, com procedimentos técnicos e periciais em andamento, visando à confirmação da presença e da quantidade de substâncias entorpecentes.







