Nova rota do vinho perto de SP vira opção de programa com clima familiar, o Circuito das frutas na região de Jundiaí tem 17 vinícolas familiares.
Poucas políticas públicas são capazes de reunir, com tamanha eficiência, desenvolvimento econômico, inclusão social, preservação cultural e fortalecimento regional como o turismo rural. No estado de São Paulo, esse potencial deixou de ser apenas uma vocação para se tornar uma estratégia de Estado com o lançamento do Programa de Desenvolvimento do Turismo Rural, apresentado pelo governador Tarcísio de Freitas. Mais do que uma iniciativa administrativa, o programa representa a consolidação de uma visão construída ao longo de 15 anos, resultado do diálogo entre o setor produtivo e o poder público.
Exemplos de sucesso no interior
Um exemplo emblemático do sucesso desse modelo pode ser observado nas rotas do vinho, do café e da gastronomia regional no interior paulista, especialmente em municípios como São Roque, Espírito Santo do Pinhal e regiões do Circuito das Águas. Nessas localidades, propriedades rurais que antes tinham sua renda concentrada exclusivamente na produção agrícola passaram a incorporar hospedagem, degustações, eventos, experiências sensoriais e venda direta de produtos artesanais.
O resultado foi imediato: aumento do fluxo de visitantes, crescimento do comércio local, fortalecimento da rede hoteleira, expansão dos restaurantes, valorização do artesanato e geração de empregos em serviços, transporte e entretenimento. O turismo rural, nesse contexto, não beneficia apenas a propriedade receptora – ele irradia desenvolvimento por toda a economia municipal. Ou seja, o turismo rural movimenta inúmeras cadeias produtivas e cria oportunidades para a cidade e o campo.
Uma visão com história
É justamente essa lógica multiplicadora que dá dimensão histórica ao novo programa do Governo do Estado. A proposta teve origem há cerca de 15 anos, quando o então presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Dr. Fábio de Salles Meirelles, em uma visão pioneira, dialogou com o então deputado Roberto de Lucena sobre o potencial transformador do turismo rural.
Naquele momento, já se compreendia que o campo paulista possuía atributos únicos: tradição produtiva, patrimônio histórico, gastronomia, paisagens naturais e proximidade com grandes centros consumidores. Faltava, porém, transformar esse potencial em uma política estruturada.
Essa construção amadureceu ao longo dos anos e ganhou forma concreta a partir da posse de Roberto de Lucena como secretário de Turismo e Viagens. Sob sua liderança, em parceria com a Faesp, foi realizado um amplo mapeamento que identificou mais de 1.200 propriedades rurais no interior do Estado, permitindo a criação de rotas turísticas organizadas e conectadas.
Impacto econômico e social
Esse número é revelador. Mais de 1.200 propriedades significam milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, centenas de municípios impactados e uma cadeia produtiva extensa envolvendo agricultura familiar, agroindústria, hospedagem, alimentação, transporte, eventos e comércio.
Os números do setor reforçam a dimensão econômica dessa aposta. Segundo dados utilizados pelo Estado e pelo Sebrae, o turismo rural apresenta crescimento médio de cerca de 30% ao ano, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos do turismo nacional. Se considerarmos a capilaridade do programa em 380 municípios com vocação para a atividade, a perspectiva é de forte incremento da arrecadação local. O impacto vai desde o aumento do ISS e do ICMS sobre serviços e comércio até a valorização imobiliária e atração de investimentos privados.
O mais relevante, contudo, está no aspecto social. Em cidades de pequeno e médio porte, o turismo rural cria alternativas reais de renda para jovens e famílias, reduzindo o êxodo rural e promovendo permanência no campo com dignidade e empreendedorismo. Cada visitante que percorre uma rota turística movimenta pousadas, restaurantes, mercados, postos de combustíveis, lojas de produtos regionais e serviços de guia. Isso significa circulação de riqueza dentro do próprio município, fortalecendo economias locais muitas vezes dependentes de poucas atividades.
Há ainda um efeito estratégico para o próprio agro. Ao aproximar a população urbana do campo, o turismo rural amplia a compreensão sobre a produção de alimentos, valoriza o produtor rural e fortalece a imagem do setor perante a sociedade.
Uma ferramenta para o futuro
O programa lançado pelo governador Tarcísio de Freitas, portanto, tem potencial para se tornar uma das mais importantes ferramentas de desenvolvimento regional do estado. Ele conecta passado, presente e futuro: nasce de uma visão histórica construída pela Faesp, amadurece em política pública com Roberto de Lucena e projeta crescimento sustentável para os municípios paulistas.
Quando o campo se transforma também em destino, experiência e oportunidade, toda a economia cresce. E São Paulo, mais uma vez, mostra que o interior é parte central de seu projeto de desenvolvimento.







