Viagens solo femininas disparam e transformam o turismo no Brasil

Levantamentos globais indicam que 64% das pessoas que viajam sozinhas são mulheres. No Brasil, 45% das brasileiras manifestam desejo de fazer uma viagem sem companhia.

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Antes incomum, viajar desacompanhada tornou-se um objetivo para um número crescente de mulheres no país, acompanhando uma tendência internacional. Pesquisas da Condor Ferries apontam que quase dois terços dos viajantes solo em todo o mundo são do sexo feminino. Dados da Statista mostram que, no cenário nacional, 45% das brasileiras têm interesse em fazer ao menos uma viagem sozinhas – percentual que é ainda maior entre aquelas com 35 anos ou mais.

Essa escolha se fundamenta no desejo por autonomia, bem-estar emocional e vivências pessoais. Cada vez menos vista como reação a rompimentos ou um ato impulsivo, a viagem solo é hoje uma opção consciente. O planejamento financeiro, a pesquisa de destinos e a atenção à segurança já fazem parte da preparação, muito antes da compra das passagens.

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Para a consultora de turismo Santuza Macedo, diretora da Diamond Viagens, a transformação é clara. “Viajar sozinha não é mais um ato de impulso ou ruptura. Hoje, trata-se de uma decisão ponderada, ligada ao equilíbrio emocional, à independência e à vontade de viver experiências únicas”, destaca. A especialista observa que o perfil dessas viajantes é diverso: inclui desde profissionais em busca de uma pausa até mulheres que priorizam o autoconhecimento.

Poder público amplia iniciativas para acolher viajantes mulheres

O crescimento desse público ocorre junto com a estruturação de ações governamentais específicas. Em 2025, o Ministério do Turismo lançou a Cartilha de Orientação para Atendimento a Mulheres no Turismo. O documento, voltado a hotéis, guias, empresas de transporte e operadoras, traz diretrizes sobre acolhimento, prevenção à violência e comunicação adequada.

O ministério também confirmou a preparação de uma nova publicação focada nas próprias turistas. Essa cartilha reúne informações sobre segurança, direitos, planejamento e canais de apoio disponíveis em várias regiões do país – uma resposta a uma demanda já identificada pelo setor.

Santuza Macedo avalia que a disponibilidade de informações claras impacta diretamente a escolha do destino. “As mulheres querem viajar, mas também buscam transparência, respeito e proteção. Dados objetivos fazem a diferença na hora de decidir para onde ir”, explica. Para ela, a clareza sobre infraestrutura, localização e suporte oferecido é um fator crucial no momento da reserva.

O turismo interno reflete essa expansão. Números do Ministério do Turismo mostram aumento nas viagens de curta e média distância, com destaque para cidades históricas, centros urbanos bem estruturados, regiões de natureza com boa infraestrutura e polos gastronômicos. Muitas mulheres começam sua jornada explorando destinos dentro do próprio estado, uma estratégia que ajuda a ganhar confiança.

“É comum que elas iniciem por viagens próximas, dentro do estado de origem. É uma etapa importante para construir autonomia e segurança”, comenta a especialista. Essa experiência inicial costuma abrir caminho para roteiros mais longos e até para viagens ao exterior.

Apesar do progresso, dúvidas ainda permeiam o planejamento. Preocupações com segurança noturna, opções de transporte, escolha da hospedagem e suporte em imprevistos estão entre as principais questões. “Perguntas como ‘vou me sentir segura à noite?’ ou ‘este hotel está preparado para receber mulheres sozinhas?’ são frequentes. O setor precisa ouvir essas inquietações e se adaptar”, analisa Santuza.

Pesquisas da Harvard Medical School sugerem que experiências de viagem ajudam a reduzir o estresse e promovem o bem-estar emocional, especialmente quando envolvem autonomia e interação com novos ambientes. O efeito vai além do descanso físico e impacta positivamente a autoconfiança.

“Planejar, tomar decisões e lidar com situações inesperadas fortalece a confiança em si mesma. Muitas mulheres relatam que só após viajar sozinhas perceberam sua própria capacidade”, afirma Santuza. Segundo analistas do setor, esse movimento está transformando o mercado, ampliando serviços personalizados e incentivando novas estratégias focadas no turismo feminino dentro do Brasil.

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