O 4º Fórum Nacional do Turismo de Pesca, realizado na abertura da Pesca Trade Show 2026, reuniu autoridades estaduais, empreendedores e especialistas para debater meios de consolidar a pesca esportiva no país e atrair pescadores internacionais.
Como resultado do evento, foi criado um grupo de trabalho com a participação de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas, São Paulo e Roraima, além do Ministério do Turismo, do Ministério da Pesca e da Embratur. O objetivo é organizar iniciativas conjuntas para promover o Brasil no cenário global do turismo de pesca e avançar na coleta de dados sobre o setor.
Durante o encontro, o presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), Marcos Glueck, destacou que o país ainda não possui informações unificadas sobre o impacto financeiro e o número de praticantes da pesca esportiva, o que dificulta a criação de políticas públicas específicas.
Busca por dados setoriais
“Uma das metas do nosso grupo de trabalho é justamente obter esses números. São informações cruciais para mostrar a dimensão do segmento e, principalmente, seu efeito na geração de empregos e renda para comunidades que muitas vezes carecem de outras alternativas econômicas”, explicou Glueck, que também é proprietário de uma pousada de pesca em Cuiabá.
Pesquisas apresentadas no fórum indicam que o turismo de pesca gerou cerca de 72 bilhões de dólares em todo o mundo em 2023, com projeção de alcançar 211 bilhões nos próximos anos. Somente na Europa, o mercado reúne aproximadamente 25 milhões de pescadores esportivos, um volume muito superior ao registrado no Brasil.
O perfil desse visitante também chama a atenção: os pescadores europeus costumam dedicar cerca de 18 dias por ano à atividade, ficam em média dez noites em viagens de pesca e gastam 36% a mais do que turistas de outras categorias. Além da pesca, 75% deles buscam experiências complementares, como gastronomia local, ecoturismo, passeios culturais e contato com populações tradicionais.
Para Glueck, entender esses hábitos é fundamental para desenvolver ofertas turísticas capazes de atrair esse público para o Brasil.
Estudo de mercados internacionais
“Estamos analisando os mercados europeu e americano para identificar quem é esse pescador, quais são suas expectativas e como podemos criar políticas públicas e produtos turísticos para trazê-lo ao Brasil”, afirmou.
Ações em Mato Grosso
A secretária adjunta de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Maria Leticia Arruda, ressaltou que Mato Grosso possui atributos naturais importantes para o crescimento do segmento, com acesso rápido a biomas como o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia.
Segundo ela, o estado tem implementado medidas para impulsionar o turismo de pesca, como a lei do transporte zero para espécies nativas, programas de capacitação para condutores de pesca esportiva e a realização de inventários turísticos para identificar oportunidades e direcionar investimentos.
“A pesca esportiva é um segmento muito organizado e coeso. Por meio de políticas públicas, parcerias com a iniciativa privada e participação em eventos como este, podemos mostrar o potencial de Mato Grosso e aumentar o fluxo de visitantes para o estado”, disse.
Além do aspecto econômico, o fórum também destacou a importância da sustentabilidade para o crescimento do setor. A pesca esportiva, aliada à preservação ambiental e ao turismo de experiência, pode gerar renda para comunidades locais e incentivar práticas como a gastronomia regional, o ecoturismo e o turismo cultural.







