Regiões da Antártida com presença humana registram uma redução de até 23 milímetros na camada superficial de gelo a cada verão. Um estudo recente atribui parte desse fenômeno aos próprios visitantes que exploram o continente mais remoto do planeta.
Conforme detalhado em um artigo publicado na Nature Communications por uma equipe internacional de pesquisadores, as conclusões se baseiam na análise da extensão dos assentamentos humanos na área.
No território antártico, o excesso de partículas poluentes equivale ao “carbono negro”, substância derivada de fumaça e fuligem. Em outras partes do mundo, esse material se dispersa amplamente com os ventos: as queimadas florestais na Austrália, por exemplo, levaram fuligem e resíduos até a América do Sul.
Na Antártida, porém, o continente é isolado do resto do planeta por correntes de vento polar, que bloqueiam a saída do carbono negro e concentram-no sobre a região. Boa parte desse carbono negro tem origem em atividades humanas, como perfurações no gelo, uso de combustíveis fósseis para transporte ou geração de energia nas estações de pesquisa.
Ao analisar amostras de solo de uma área de cerca de 20 mil quilômetros quadrados na parte mais visitada da Antártida, os pesquisadores quantificaram e classificaram as partículas encontradas. O carbono negro altera a forma como a neve reflete a luz solar, uma propriedade chamada “albedo”. Projeções indicam que, nos próximos anos, as atividades turísticas no continente devem aumentar em volume e frequência, acelerando ainda mais o degelo.






