A economia capixaba espera movimentar R$ 228,7 milhões durante o Carnaval de 2026, um valor que reforça a importância da data para o comércio, o turismo e os serviços. Comparado ao ano anterior, que registrou cerca de R$ 221 milhões, a expectativa é de um crescimento de 3,5%, superando a média anual de aproximadamente 2% observada na última década.
As projeções foram elaboradas pelo Connect Fecomércio-ES, com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em nível nacional, a CNC estima que a festa gere receitas de R$ 14,48 bilhões, com um crescimento real de 3,8%. Se confirmados no estado, os números representarão o melhor desempenho da última década e o maior volume financeiro desde a pandemia.
Para André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, o resultado reflete um cenário mais otimista para o consumo.
“A projeção de crescimento aponta um panorama favorável ao turismo e ao comércio, com efeitos diretos na geração de renda e na criação de empregos temporários”, afirmou.
Turismo é impulsionado por Carnaval antecipado
A entidade destaca como fator estratégico a realização do Carnaval de Vitória antes do calendário oficial. Ao acontecer uma semana antes, a capital se integra a um circuito mais amplo de eventos, atraindo visitantes que desejam prolongar a folia ou participar de várias programações.
“Essa antecipação reduz a competição com outros grandes polos e ajuda a ampliar o fluxo de turistas fora do pico nacional”, explicou Spalenza.
Na prática, o efeito se traduz em maior ocupação da rede hoteleira, aumento no consumo em bares, restaurantes e comércio, além de mais movimento pelas ruas da cidade.
Segundo o Connect Fecomércio-ES, a atividade econômica deve se concentrar mais em Vitória, Guarapari e outros municípios litorâneos, que historicamente recebem o maior número de turistas durante o Carnaval.
Setores que devem receber os recursos
O montante projetado considera os segmentos diretamente ligados às atividades carnavalescas. As maiores receitas devem vir de:
- Serviços de alimentação: R$ 91,1 milhões (39,8% do total)
- Hospedagem: R$ 22,7 milhões (9,9%)
- Lazer, cultura e transportes rodoviário e aéreo
Outro ponto importante é a geração de empregos temporários. A estimativa aponta 704 vagas durante o período da festa, o maior número de contratações sazonais dos últimos sete anos no estado.
Para Spalenza, esse dado mostra maior confiança do setor produtivo na demanda do período, gerando impactos positivos na renda e na economia local.
Impacto nos custos para o folião
O Carnaval também significa gastos maiores para os participantes. Na Grande Vitória, a inflação acumulada para itens de consumo em atividades domésticas chegou a 4,99% até dezembro de 2025, acima da média nacional de 4,26%. O principal aumento veio do grupo de bebidas e infusões, com alta de 16,97%, puxada principalmente pela cerveja.
Por outro lado, a alimentação dentro de casa registrou inflação mais suave, de 0,78%, abaixo da média do país. Frutas tiveram aumento mais significativo, enquanto pescados apresentaram queda de preços, ajudando a equilibrar os custos.
Para quem frequenta blocos, a alimentação fora de casa acumulou alta de 9,31%, com lanches subindo 14,17%. O grupo de vestuário teve aumento de 6,6%, com destaque para joias e bijuterias usadas em fantasias, que ficaram 20,15% mais caras.
Entre os foliões que pretendem viajar, o grupo de transportes apresentou inflação de 3,59%, impulsionada pela tarifa de ônibus intermunicipal (12,57%). As passagens aéreas subiram 2,91%, enquanto os custos para quem usa veículo próprio avançaram 3,6%.
Apesar da pressão nos preços de alguns itens, o panorama geral sugere um Carnaval movimentado no Espírito Santo, com efeitos benéficos para o turismo, o comércio e os serviços.
“O conjunto de informações mostra que o Carnaval continua sendo um importante indutor da atividade econômica no começo do ano”, concluiu Spalenza.







