O Brasil volta a se consolidar entre os destinos preferidos dos turistas argentinos no verão. Por trás das paisagens de águas transparentes e areias claras, no entanto, esconde-se uma realidade ecológica alarmante: a crescente poluição das praias.
Um estudo recente sobre a qualidade das águas oceânicas acendeu um alerta em plena alta temporada. Assim, o aproveitamento turístico convive com um problema estrutural que se agrava a cada ano.
A situação não é homogênea, mas a piora atinge grande parte do litoral, revelando uma crise ecológica que já não pode ser disfarçada.
Um diagnóstico alarmante
No verão de 2026, cerca de 70% das praias analisadas foram consideradas impróprias para banho. O número é o pior da última década e mostra uma tendência contínua de degradação.
As análises, realizadas entre novembro de 2024 e outubro de 2025, indicam que apenas uma pequena parcela manteve condições ideais de forma constante. O panorama costeiro, portanto, apresenta uma deterioração generalizada.
Além disso, uma quantidade significativa de praias recebeu classificação entre regular, ruim e péssima, segundo os padrões ambientais oficiais.
Áreas turísticas em situação crítica
O relatório destaca trechos específicos de destinos muito procurados, como Balneário Camboriú, Bombas, Bombinhas, Florianópolis, Botafogo, Arpoador (Ipanema), Búzios (praia da Armação), Guarujá e Ilhabela.
Essas regiões concentram grande fluxo de turistas e uma intensa ocupação urbana na orla. Como consequência, o impacto da atividade humana fica mais evidente na qualidade da água.
Em muitos casos, trata-se de praias próximas a portos, a grandes centros urbanos ou às fozes de rios poluídos.
As causas da poluição costeira
A degradação do oceano resulta de uma combinação de fatores ambientais e problemas de infraestrutura. Primeiro, as chuvas fortes carregam detritos e esgoto urbano para o mar.
Segundo, as falhas no saneamento básico agravam o problema. Redes de esgoto inadequadas ou inexistentes despejam efluentes sem tratamento nas águas marinhas.
Somado a isso, o crescimento urbano desordenado sobrecarrega ecossistemas sensíveis e supera a capacidade de regeneração natural do litoral.
Riscos para a saúde e o meio ambiente
Mergulhar em águas poluídas representa riscos reais à saúde. Entre os problemas mais comuns estão distúrbios gastrointestinais, infecções de pele e respiratórias.
A gastroenterite é a ocorrência mais frequente, embora as consequências variem conforme a exposição e o estado de saúde de cada pessoa. Por isso, a precaução é fundamental.
Além dos danos às pessoas, a poluição altera a biodiversidade marinha e afeta o equilíbrio dos ecossistemas costeiros.
Orientações para um turismo consciente
Diante desse cenário, recomenda-se evitar praias impróprias, especialmente após tempestades fortes. Também é crucial não entrar no mar perto da foz de rios ou canais.
Consultar os boletins oficiais de cada estado torna-se uma ferramenta essencial para turistas e moradores. Dessa forma, a informação permite escolhas mais seguras.
Por fim, o desafio é de todos: preservar o oceano exige cobrar medidas de saneamento, organizar a expansão das cidades e promover um turismo sustentável.







