O setor turístico do Rio Grande do Norte superou a média nacional em novembro de 2025. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, divulgados nesta terça-feira, mostram que o volume de atividades cresceu 4,2% na comparação com novembro de 2024. Esse desempenho é o dobro do crescimento nacional, que foi de 2,1%. No mesmo período, a receita do turismo potiguar aumentou 10,2%.
Considerando o acumulado de janeiro a novembro de 2025, os indicadores do estado também foram positivos. O volume de atividades subiu 3,5%, e a receita, 8,9%, na comparação com os onze primeiros meses de 2024. Em doze meses, a variação acumulada foi de 4,2% no volume e 9,6% na receita nominal.
Segundo análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), esse resultado foi crucial para que o setor de serviços no estado retomasse o crescimento, indo na contramão do cenário nacional e registrando alta de 0,5% em novembro, na comparação anual. O IFC observa que o turismo local vem se desenvolvendo em ritmo superior à média do Brasil, sustentando a alta do setor de serviços ao longo de 2025, impulsionado pelo maior fluxo de visitantes e pelo aumento do gasto médio.
“O turismo se consolida como um dos principais pilares do setor de serviços no Rio Grande do Norte, com impacto direto em atividades que geram empregos e movimentam a economia em diversas regiões”, afirmou o presidente do Sistema Fecomércio-RN, Marcelo Queiroz.
Apesar da alta de 0,5% em novembro de 2025 na comparação anual, o volume de serviços do RN recuou 0,3% em relação a outubro, acompanhado por uma queda de 0,2% na receita. Foi o segundo mês seguido de resultados negativos para o setor, após um recuo de 1,2% no volume de atividades em outubro.
No mesmo período, de novembro frente a outubro, as atividades turísticas não tiveram variação no volume (0,0%), mas registraram crescimento de 1,2% na receita nominal, considerando o ajuste sazonal.
Para o diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur/RN), Raoni Fernandes, os números confirmam uma estratégia adotada nos últimos anos. “Tanto no fluxo de turistas, em um ano em que o Brasil bate recordes de turismo internacional e a movimentação interna também alcança marcas históricas, o Rio Grande do Norte cresce no fluxo turístico internacional acima da média nacional e, consequentemente, aumenta seu faturamento”, declarou.
Hotelaria e viagens experimentam crescimento
Na hotelaria, o crescimento do turismo já se traduz em maior ocupação e retomada de postos de trabalho. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH-RN), Edmar Gadelha, avalia 2025 como um ano de consolidação da recuperação do segmento. “Os dados divulgados refletem uma tendência positiva que observamos com otimismo cauteloso no setor de hospedagem potiguar”, disse.
Segundo ele, o avanço está associado principalmente à ampliação da malha aérea e aos investimentos na promoção do destino. “Principalmente pelo aumento da oferta de voos domésticos, além dos investimentos em promoção turística realizados pelo governo estadual e pelas entidades do trade”, explicou.
Edmar Gadelha também ressaltou a importância do turismo na geração de empregos. “É importante contextualizar que o turismo é um dos principais vetores de emprego formal no estado, tendo gerado, conforme os últimos dados, cerca de 36 mil empregos formais no RN em 2024”, destacou.
O crescimento também é sentido nas agências de viagens. “Os números divulgados pelo Ministério do Turismo refletem uma realidade percebida pelo setor, especialmente no Nordeste”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no RN (Abav-RN), Antônio Neto. “Houve um reposicionamento importante da imagem do Brasil no exterior, maior presença em feiras internacionais, ampliação de acordos, incentivo à malha aérea e investimentos em promoção de destinos. Tudo isso impacta diretamente o fluxo turístico e, por consequência, o faturamento do setor”, avaliou.
No caso específico do RN, Antônio Neto enfatiza a maturidade do mercado local. “As agências de viagens estão vendendo mais porque há produto, há demanda e há uma percepção positiva do destino”, comentou. Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento. “O desafio agora é transformar esses bons números em crescimento estruturado, garantindo geração de emprego, renda e desenvolvimento regional de forma contínua”, concluiu.
Turismo em alta no país
De acordo com o IBGE, o índice de atividades turísticas registrou alta de 0,2% em novembro frente ao mês anterior, o quarto resultado positivo consecutivo. No período, o segmento acumulou ganho de 2,4% e passou a operar 13% acima do nível pré-pandemia, ficando apenas 0,8% abaixo do pico histórico, registrado em dezembro de 2024. Na comparação com novembro de 2024, o volume das atividades turísticas cresceu 2,1% no país, marcando a 18ª alta seguida.
O desempenho do turismo ocorre em um contexto de manutenção do setor de serviços em patamares historicamente elevados. Em relação a novembro de 2024, o volume total de serviços avançou 2,5%, o vigésimo resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Para o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo, “o resultado reflete uma certa manutenção do setor de serviços em patamares elevados”, mesmo após o recorde alcançado em outubro.
Conforme o levantamento mais recente da FecomercioSP, elaborado com base em informações do IBGE, entre janeiro e outubro de 2025 o turismo brasileiro alcançou faturamento recorde de R$ 185,2 bilhões. O número consolida a retomada do setor em nível nacional e ajuda a explicar o desempenho positivo observado nos indicadores mais recentes do IBGE.
Estado trabalha na diversificação de produtos
Um estudo da Fecomercio-SP, feito a partir de dados do IBGE, mostra que o crescimento do faturamento do turismo potiguar foi de 7,8% até outubro de 2025, o terceiro maior do Nordeste, atrás apenas da Bahia (9,6%) e do Ceará (9%). O presidente da Emprotur, Raoni Fernandes, afirma que o aumento da receita é um indicador central para o planejamento do setor. “Um dos principais trabalhos da Emprotur é o de inteligência de mercado, que consiste em buscar o público certo para o produto que temos. Um público mais qualificado, que deixa mais recursos no destino e fica mais noites”, explicou.
Raoni Fernandes destaca que a permanência mais longa do turista amplia as oportunidades econômicas e auxilia na diversificação da oferta turística no estado. “E aí mora a oportunidade da diversificação e da interiorização do turismo, por exemplo, fugir um pouco da tríade Natal, Pipa e São Miguel do Gostoso e poder apresentar produtos como Galinhos, o Geoparque Seridó, as cavernas de Felipe Guerra, Furna Feia, a Costa Branca”, disse.
Ele também ressaltou o posicionamento do estado como destino sustentável. “Estamos há quase dois anos vendendo o Rio Grande do Norte como destino verde, como destino sustentável, por ser um estado com 100% da sua energia limpa e renovável”, afirmou. Esse diferencial, segundo ele, tem despertado maior interesse do mercado internacional.
Outro ponto enfatizado por ele é a segurança pública. Dados do Sistema de Inteligência Turística do Rio Grande do Norte (Sirio), ao final da alta temporada de 2025, indicaram que mais de 80% dos visitantes consideraram boa ou ótima a segurança pública potiguar. “Temos conseguido apresentar o Rio Grande do Norte como uma opção segura e isso faz toda a diferença na competitividade do turismo.” O Sírio é resultado de uma parceria entre o Sistema Fecomércio RN, com participação do Departamento de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Federação e do Senac RN, e o Governo do Estado, através da Emprotur.






