Se você tem um carinho especial por Aventureiros do Bairro Proibido como um clássico da Sessão da Tarde, já se imaginou no papel de Snake Plissken e ainda sente arrepios ao lembrar de A Coisa, então John Carpenter’s Toxic Commando pode ser o jogo ideal para capturar essa atmosfera nostálgica.
Com a assinatura do próprio John Carpenter — o responsável por essas obras —, esta análise explora um pouco mais do título, que mistura o estilo característico dos anos 80 do diretor com ação desmedida, trilhas repletas de sintetizador e falas marcantes que você sempre quis dizer, mas nunca teve a chance… até agora.
O trabalho errado, para o grupo errado e na hora errada
Em John Carpenter’s Toxic Commando, a história acompanha um dia comum de trabalho para um bando de mercenários, encarregados de transportar um contêiner misterioso para um destino específico. No meio do caminho, a equipe acaba descobrindo — pelo menos em parte — que se meteu em uma encrenca de proporções apocalípticas.
Criaturas mortas-vivas e mutantes dominam uma zona de quarentena, e a missão do grupo era justamente entregar o contêiner a um cientista. Ele planejava usar o conteúdo para criar uma arma capaz de eliminar a entidade por trás daquele caos, impedindo que a ameaça se espalhasse pelo planeta. No entanto, os planos vão por água abaixo quando o recipiente é destruído, contaminando os quatro membros da equipe com a substância tóxica que assola a região.
Apesar do revés, eles são salvos inesperadamente por Leon, o próprio cientista que os contratou. Agora, os mercenários enfrentam um novo problema: a intoxicação que poderia ser fatal — e ainda pode ser — está momentaneamente controlada por trajes especiais criados por Leon. Para resolver a confusão que ajudaram a criar e também receber a recompensa, terão que vasculhar o território dominado pelos mortos-vivos em busca de uma nova fonte de energia para a arma que pode acabar com a ameaça.

Portanto, é hora de empunhar as armas mais potentes, reunir até três aliados e embarcar em uma missão praticamente suicida para tentar salvar o que resta do mundo. Afinal, você não é mais apenas um mercenário: você se tornou um Toxic Commando.
Um rolê pelo apocalipse
John Carpenter’s Toxic Commando é um jogo de ação em primeira pessoa com suporte para até quatro jogadores no modo cooperativo. Também dá para jogar sozinho, com os outros membros do esquadrão controlados pela inteligência artificial. O objetivo é realizar investidas em várias regiões do mapa, organizadas em oito capítulos, completando missões que avançam a trama.
Por causa da contaminação sofrida na missão inicial — que serve como tutorial —, além do arsenal convencional com metralhadoras, rifles, pistolas e granadas, cada integrante da equipe assume uma classe com habilidades únicas.

O Atacante foca em causar dano massivo. O Médico especializa-se em suporte e no resgate de companheiros. O Operador conta com um drone auxiliar. Já o Defensor tem habilidades voltadas para proteger o grupo e aguentar mais porrada durante os combates.
Antes de cada missão, o grupo pode se organizar no laboratório de Leon, que funciona como centro de operações. Lá, os jogadores configuram seus conjuntos de habilidades conforme a classe escolhida, equipam e customizam armas e a aparência dos personagens, além de poderem curtir atividades extras, como minigames.
Após os preparativos, o líder do esquadrão escolhe uma das missões disponíveis, e a equipe parte para uma nova incursão. Cada área se comporta como um pequeno mundo aberto, com várias atividades, incluindo objetivos primários e secundários. As ações realizadas durante a missão rendem medalhas, que concedem pontos de experiência extras e desbloqueiam pontos de técnica, usados para adquirir novas habilidades das classes.

Esses pontos são adquiridos de maneira individual. Ou seja, a experiência ganha ao jogar com o Atacante não vale para desbloquear habilidades do Médico. Para progredir em uma classe específica, é preciso jogar com ela e dedicar tempo ao seu aprimoramento.
No decorrer das missões, as atividades também geram pontos que liberam novos equipamentos e itens de personalização, como bocais, miras e diferentes tipos de munição. Toxic Commando recompensa o jogador constantemente, oferecendo motivação para continuar evoluindo, especialmente ao lado de novos parceiros.
Diversas situações podem acontecer durante uma incursão. É possível enfrentar hordas de zumbis, inimigos de elite ou encontrar veículos — às vezes até com um pouco de combustível —, que ajudam a acelerar a exploração e a aumentar o caos. Os mapas são extensos, e uma missão pode durar cerca de uma hora, caso o grupo queira explorar tudo com calma.

Também há segredos espalhados pelos cenários, com itens valiosos e equipamentos mais raros e poderosos, que exigem peças especiais para abrir os cofres onde estão guardados, além de objetos que podem ser reparados e usados em benefício do grupo. Resumindo, a experiência vai além de simplesmente entrar no mapa e sair atirando. Explorar cada área pode render recompensas extras bastante úteis.
Se possível, não vá sozinho
Para esta análise, como o jogo estava sendo testado antes do lançamento, a Focus Entertainment gentilmente forneceu chaves adicionais para PC e PS5, permitindo avaliar o modo multiplayer — com suporte a crossplay — e experimentar o jogo da maneira como foi pensado: em grupo.
Ao jogar no modo solo, como mencionado, os bots assumem o papel dos mercenários restantes para completar o esquadrão. Essa opção é válida, pois evita que a experiência fique limitada ao multiplayer. A inteligência artificial é minimamente competente, e há um botão dedicado para dar ordens básicas ou pedir suporte, como peças para consertar equipamentos ou abrir caixas de armas.

Em grupo, naturalmente, a dinâmica fica mais divertida. A interação direta entre os jogadores permite uma coordenação mais eficaz — ou não, se a intenção for apenas a diversão descompromissada — na hora de cumprir os objetivos. É possível, por exemplo, dividir o esquadrão para cobrir mais terreno ou orquestrar ataques para limpar áreas infestadas de monstros.
Com o lançamento, será viável jogar com pessoas fora do seu círculo de amizades. Sempre que possível, vale a pena priorizar essa forma de jogo, já que o título foi claramente idealizado para a experiência cooperativa. No pior dos casos, ainda resta a alternativa de jogar sozinho, embora, dependendo da dificuldade da missão, os bots possam não ser tão eficientes.

De qualquer forma, Toxic Commando é uma boa escolha para quem gosta de partidas em grupo, com ênfase em ação e colaboração. O jogo tem potencial para conquistar seu espaço entre os títulos do gênero em 2026, graças à jogabilidade frenética e viciante, somada à irreverência que carrega a assinatura de John Carpenter.
“Goin’ Commando!”
John Carpenter’s Toxic Commando aposta em uma proposta bem definida: oferecer ação cooperativa exagerada e despretensiosa, com uma identidade marcante inspirada no cinema de horror e ficção científica dos anos 1980. A influência de John Carpenter não se limita ao nome do jogo, mas também se reflete no tom irreverente, na trilha sonora e no clima que mistura terror, humor e ação desenfreada.

A estrutura baseada em missões, classes complementares e mapas amplos incentiva a cooperação constante entre os jogadores. Explorar os cenários, enfrentar hordas de inimigos e completar objetivos secundários cria um ciclo de progressão que recompensa quem decide investir tempo desenvolvendo suas classes e equipamentos.
Apesar disso, a experiência funciona melhor quando aproveitada em grupo. Jogar sozinho ainda é possível graças aos bots, mas a essência do jogo se manifesta plenamente quando há comunicação e coordenação entre jogadores reais. Nessas horas, as situações caóticas, as estratégias improvisadas e até os erros da equipe geram momentos memoráveis.
No final das contas, John Carpenter’s Toxic Commando é um título que não busca reinventar o gênero, mas sim entregar uma experiência cooperativa divertida, estilosa e com personalidade própria. Para quem gosta de jogos focados em ação em equipe e não abre mão de uma boa dose de humor e caos, esta é uma opção bastante sólida dentro do gênero para experimentar em 2026.
Prós
- Jogabilidade cooperativa dinâmica e divertida
- Identidade forte inspirada no estilo cinematográfico de John Carpenter
- Sistema de classes incentiva trabalho em equipe
- Mapas amplos, com exploração, segredos e atividades secundárias
- Progressão constante, com desbloqueio de habilidades e equipamentos
- Clima irreverente, com trilha sonora e estética oitentistas
Contras
- Experiência solo menos interessante em comparação ao multiplayer
- Bots podem não ser tão eficientes em dificuldades mais altas
- Estrutura de missões pode se tornar repetitiva ao refazê-las em dificuldades diferentes
- Dependência de cooperação para aproveitar melhor a proposta do jogo
John Carpenter’s Toxic Commando — PC/PS5/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC







