20 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Romeo is a Dead Man mistura Shakespeare com um liquidificador ácido

Quem já conhece a obra de Goichi Suda, o famoso Suda51, sabe que começar um de seus jogos é um ato de confiança. O jogador se prepara para encontrar elementos geniais misturados a mecânicas antiquadas e uma trama que parece ter sido concebida em estado de delírio. Romeo is a Dead Man segue essa linha: marca o retorno triunfante do criador de No More Heroes com seu projeto mais acessível até agora, que ainda esbarra nas limitações técnicas de sempre.

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Disponível a partir de fevereiro de 2026, o título funciona como uma declaração de amor (ou de desprezo?) a clássicos como De Volta para o Futuro e Rick and Morty, tudo apresentado com uma estética punk e deliberadamente caótica.

A premissa é a essência mais pura do estilo Suda51. Em Romeo is a Dead Man, a história começa com Romeo Stargazer, um policial de uma cidade pequena que, durante uma ronda noturna, encontra o que parece ser um corpo na estrada. Ao investigar, o “cadáver” se transforma numa criatura monstruosa que ataca violentamente ele e seu parceiro. Gravemente ferido e à beira da morte, Romeo é salvo pelo próprio avô, Benjamin, uma versão completamente excêntrica e alcoólatra do Doc Brown, que surge pilotando uma motocicleta futurista que esmaga o monstro.

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Para salvar o neto, o idoso injeta uma tecnologia experimental chamada “Gear” diretamente em seu olho. A consequência? Romeo se torna um Deadman: uma entidade que não está nem viva nem morta, meio zumbi e meio ciborgue. A partir daí, a insanidade se intensifica rapidamente. Romeo é recrutado pela Polícia do Espaço-Tempo do FBI (sim, essa organização existe e é tão absurda quanto parece). Sua nova missão é viajar pelo cosmos e por diferentes linhas temporais a bordo da nave “Last Night”, perseguindo criminosos que estão fragmentando a realidade.

Romeo is a Dead Man 2

Porém, a situação é mais complexa: a origem desse colapso universal é ninguém menos que Julieta, a namorada desaparecida de Romeo. Ela se tornou uma “fugitiva do tempo” e existem múltiplas versões dela espalhadas por diferentes eras. O enredo vira uma mistura de Loki com Scott Pilgrim, em que é preciso derrotar ou capturar essas variantes para tentar encontrar a original e reparar o estrago. A narrativa de Romeo is a Dead Man é intencionalmente confusa e não linear.

O jogo transporta o jogador para flashbacks, sonhos e realidades alternativas sem aviso, fazendo-o questionar se aquilo é parte do enredo ou apenas uma “viagem ruim”. O grupo de apoio é um espetáculo à parte em termos de estranheza, incluindo até um gato humanóide que age como se fosse a coisa mais normal do universo.

Em Romeo is a Dead Man, a localização para PT-BR merece reconhecimento. A tradução não apenas adaptou o texto, como recriou piadas inteiras com gírias e memes brasileiros que se encaixam perfeitamente no humor nonsense da obra. É o tipo de história que a gente não entende totalmente, mas que mantém o jogador interessado só para descobrir qual será a próxima loucura a aparecer na tela.

Romeo is a Dead Man 3

Jogabilidade: Zumbis na Horta e Pac-Man

A extravagância de Romeo is a Dead Man começa na seleção de dificuldade, que abandona termos tradicionais como “Fácil” ou “Difícil” para oferecer uma caixa de chocolates: o desafio é definido escolhendo entre quatro sabores, sendo o amargo “Chocolate com Laranja” a opção ideal para quem busca um teste exigente. Em termos mecânicos, o jogo é uma fusão caótica de Hack and Slash com elementos de tiro que remetem à era do PlayStation 3, mas com aquele tempero característico de Suda.

Romeo is a Dead Man 4

Não há uma barra de stamina para limitar as ações, o que torna o combate mais frenético enquanto o jogador alterna entre quatro armas brancas, como espadas e lanças, e quatro armas de fogo, incluindo escopetas e bazucas. A violência é estilizada: quanto mais ataques são realizados, mais sangue respinga na tela, enchendo a barra do ataque especial, o “Verão Sangrento”, que limpa a área e restaura vida, um recurso essencial nas dificuldades mais altas.

O ponto onde Romeo is a Dead Man verdadeiramente se destaca é na mecânica de cultivo dos Bastardos. Esqueça as tradicionais árvores de habilidades; aqui, sementes coletadas de inimigos derrotados são usadas para plantar zumbis literalmente na horta da base. Após a colheita, essas criaturas entram no inventário como habilidades invocáveis durante a batalha. A variedade é impressionante, incluindo zumbis que viram torretas, outros que congelam chefes e até um que explode como uma granada viva. O sistema ainda permite fundir essas criaturas, uma devorando o cérebro da outra, para criar versões mais poderosas ou com atributos lendários, transformando o combate num gerenciamento estratégico de recursos vivos.

Romeo is a Dead Man 5

A criatividade do jogo se estende à progressão do personagem. Em vez de menus estáticos, o jogador acessa o “Dead Gear Cannonball”, um minigame isométrico no estilo Pac-Man onde se pilota um carrinho. O combustível é a experiência adquirida, e é necessário planejar a melhor rota para coletar melhorias de vida e força antes que o tanque se esvazie.

Tudo isso é administrado dentro da nave “Last Night”, que serve como um hub totalmente em pixel art 2D, criando um contraste marcante com o restante do jogo em 3D. É nesse local que o jogador também interage com NPCs excêntricos, como a mãe de Romeo, participando de um minigame de ritmo para preparar pratos que concedem bônus, como o famoso Katsu Curry.

O design das missões de Romeo is a Dead Man sofre com as áreas do “Subespaço”, seções de quebra-cabeça labirínticas dentro de TVs de tubo flutuantes que interrompem bruscamente o ritmo da ação e se tornam tediosas rapidamente. Além disso, a variedade de inimigos é limitada para um jogo de seu escopo; o jogador passará horas enfrentando os mesmos “Podrões” com paletas de cores diferentes, e a câmera, especialmente quando travada na mira, frequentemente se desorienta e falha nos momentos mais intensos.

Romeo is a Dead Man 6

O Fantasma da Unreal Engine 5

É no aspecto técnico que Romeo is a Dead Man encontra seus maiores desafios, revelando que a ambição com a Unreal Engine 5 superou a capacidade de otimização. Em computadores, a situação é crítica, mesmo em máquinas modernas, com telas de carregamento excessivamente longas e quedas abruptas na taxa de quadros que afetam até as cinemáticas, transformando momentos narrativos importantes em apresentações de slides travadas.

Nos consoles, como o PlayStation 5, a experiência é mais estável, mas não perfeita. Cenários abertos ou com muitos elementos em tela causam flutuações no desempenho, indicando que o polimento final ficou a desejar. O que resgata o visual de um desastre total é a direção de arte extremamente inspirada, que carrega o jogo e compensa a modelagem desatualizada e as animações faciais rígidas. A física dos inimigos também parece datada, com oponentes reagindo aos golpes de maneira artificial, como se fossem “paredes de concreto” ou bonecos sem peso.

Romeo is a Dead Man 7

Por outro lado, o setor sonoro de Romeo is a Dead Man é onde a personalidade do jogo brilha sem interferências técnicas. A trilha sonora é uma mistura eclética e cativante que vai do jazz ao hip-hop, passando por música eletrônica e até por faixas que lembram um forró animado enquanto se gerencia os zumbis no menu. A dublagem em inglês é competente e cheia de alma, reminiscente da era de ouro dos jogos “Duplo A”, mas o grande destaque é a localização textual, que adapta piadas com maestria. Essa excentricidade sonora e visual permeia toda a interface, demonstrando que o estilo é a prioridade máxima aqui.

Em última análise, Romeo is a Dead Man é uma experiência que só poderia ter surgido da mente de Suda51. É um jogo repleto de imperfeições, com problemas técnicos irritantes e um design de missão que cansa em certos momentos, mas que busca compensar tudo isso com uma dose generosa de estilo, humor e uma trilha sonora fantástica. Se houver paciência para tolerar os defeitos e abraçar a loucura, encontrará aqui uma das jornadas mais originais e divertidas do ano.

Pontos Positivos

  • Mecânicas únicas como cultivar zumbis e evoluir através de um minigame
  • Trilha sonora eclética e cativante
  • Tradução para PT-BR impecável, adaptando piadas e gírias
  • A combinação de arte 2D no hub com o mundo 3D

Pontos Negativos

  • Otimização deficiente com quedas de FPS e carregamentos prolongados
  • Pouca variedade de inimigos e combate que pode se tornar repetitivo
  • As fases de quebra-cabeça no “Subespaço” são entediantes e interrompem a ação
  • Mira imprecisa e animações rígidas que lembram jogos de gerações passadas
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