22 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026

Nintendo processa principais emuladores de Switch e consegue retirada de softwares

A Nintendo voltou a direcionar seus esforços contra a emulação, intensificando a batalha contra a pirataria de títulos do Switch. Em uma ação recente com base na lei norte-americana DMCA, a empresa enviou ordens formais à plataforma GitHub pedindo a remoção de códigos-fonte ligados a vários emuladores do console, o que afetou quase todos os principais projetos do tipo.

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A iniciativa foi notada primeiro por publicações internacionais e membros do Reddit, atingindo pelo menos 13 projetos hospedados no serviço. Segundo as notificações, os repositórios em questão “disponibilizam, direcionam ou permitem acesso” a emuladores que, na visão da empresa japonesa, violam sistemas de proteção tecnológica.

Postura da Nintendo se torna mais firme

O episódio reforça a atitude cada vez mais dura da Nintendo frente a projetos de emulação, especialmente depois dos conflitos legais de 2024 que levaram ao encerramento do Yuzu.

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Quais emuladores foram alvo da ação?

Conforme detalhado nas comunicações ao GitHub, a ofensiva vai desde variações do antigo Yuzu até projetos mais sofisticados para emular o Switch 1 e 2 em computadores e dispositivos móveis Android e iOS. Veja a lista dos projetos impactados, de acordo com a fonte WccFTech:

  • Citron
  • Eden
  • Kenji-NX
  • MeloNX
  • Pine
  • Pomelo
  • Ryubing
  • Ryujinx
  • Skyline
  • Sudachi
  • Sumi
  • Suyu
  • Yuzu

Vários repositórios já foram removidos ou estão inacessíveis. Páginas oficiais de iniciativas como Citron e MeloNX também saíram do ar. Projetos conhecidos, como o Ryujinx, seguem ativos, mas em um cenário de incerteza sobre seu futuro.

Argumentos da Nintendo

Na solicitação de remoção, a Nintendo afirma que os emuladores do Switch são “projetados principalmente” para rodar títulos da plataforma e que, para funcionar, dependem de cópias não autorizadas de chaves criptográficas de sua propriedade (as chamadas prod.keys).

Para a empresa, isso configura uma violação da DMCA por “contornar medidas tecnológicas de proteção”, além de uma possível comercialização de tecnologia feita para burlar sistemas de segurança. Em resumo, na visão da Nintendo, a simples distribuição desses softwares já seria uma infração, independentemente de como o usuário final os utilize.

Essa interpretação legal não é nova, mas tem sido aplicada com mais rigor nos últimos anos. Historicamente, emuladores como o Yuzu foram usados para rodar jogos do Switch em computadores no dia do lançamento – e, em alguns casos, até antes da data oficial.

Emulador Eden pretende resistir

Entre os projetos citados, o emulador Eden decidiu se manifestar publicamente. Em uma declaração no Discord, a equipe confirmou que o alerta da DMCA afeta apenas o repositório de lançamentos no GitHub – não o código-fonte principal.

Segundo os criadores, o código está guardado em um servidor próprio e continua acessível, assim como versões espelhadas para download. O grupo também informou que pretende contestar a notificação, argumentando que o projeto não fere as regras da plataforma.

A fundadora do Eden, Camille LaVey, disse que o objetivo é seguir com o desenvolvimento, posicionando o projeto como uma ferramenta para preservar jogos de usuários que já têm cópias originais.

Possíveis desdobramentos

O GitHub avisou aos desenvolvedores que dá um prazo limitado para apresentar respostas antes de desativar os repositórios. Sem uma contestação ou acordo, os projetos podem perder visibilidade e seu meio de distribuição na plataforma.

Por outro lado, como mostra o caso do Eden, muitos criadores já evitam hospedar seus códigos apenas no GitHub – antecipando justamente esse tipo de medida.

 

A nova série de notificações deixa claro que a Nintendo não pretende baixar a guarda tão cedo. Para o cenário de emulação do Switch, a mensagem é evidente: a batalha jurídica continua e deve ficar mais acirrada com a chegada do Switch 2.

Preservação de jogos versus pirataria

Do ponto de vista técnico, desenvolver um emulador não é intrinsecamente ilegal em vários países. O problema surge quando há uso de BIOS proprietárias, chaves criptográficas ou ROMs distribuídas sem autorização.

Para a Nintendo, os emuladores do Switch facilitariam a execução de cópias ilegais e prejudicariam as vendas de jogos. A empresa já afirmou que lançamentos como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom teriam sido pirateados em larga escala antes mesmo do lançamento oficial.

Essa postura da companhia levou a um grande confronto com o emulador Yuzu, que resultou na retirada de mais de 8 mil repositórios e cópias após uma notificação. Durante o processo judicial em 2024, a empresa deixou clara sua disposição de combater softwares de emulação para proteger seus consoles atuais contra a pirataria.

Por sua vez, os desenvolvedores de emuladores costumam justificar seu trabalho como ferramentas para preservação histórica e acessibilidade, permitindo que jogadores usem legalmente títulos adquiridos em hardware alternativo. Graças ao engajamento da comunidade, esses projetos seguem resistindo mesmo com as investidas da Nintendo.

Após o fim do Yuzu, por exemplo, várias versões derivadas do emulador surgiram online, como o Suyu. No entanto, com as ações cada vez mais intensas e frequentes da Nintendo, a disputa em torno dos emuladores de Switch só tende a ficar mais acirrada.

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