Motorola lança estratégia para atrair usuários da Apple

Ao assumir a liderança global da Motorola Mobility em 2018, o executivo brasileiro Sérgio Buniac encontrou uma empresa que tentava rivalizar diretamente com os aparelhos de luxo da Apple e da Samsung.

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A estratégia, porém, não dava os resultados esperados.

O iPhone e a linha S da Samsung já dominavam aquele segmento, deixando pouco espaço para outras marcas.

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Diante desse cenário, Buniac decidiu mudar o rumo e intensificou o foco em um produto que já mostrava sucesso: a linha intermediária Moto G, com preços entre R$ 600 e R$ 1.400, que ganhava mercado em países emergentes como Brasil e México.

A manobra deu certo. A Motorola se consolidou como vice-líder no mercado brasileiro, com 31% de participação, atrás apenas da Samsung, que tem 45%, e alcançou a terceira posição em outros países latino-americanos, como México, Argentina e Colômbia.

“Nosso objetivo principal era restaurar a rentabilidade da Motorola,” disse Buniac ao Brazil Journal. “O maior desafio na época era recuperar o desempenho operacional e assegurar a sustentabilidade do negócio – uma meta que cumprimos nos primeiros doze meses.”

Agora, a empresa encara um novo desafio: disputar o topo do mercado e reconquistar uma fatia que um dia já foi sua.

Nos anos 1990 e 2000, antes da ascensão do iPhone e do extinto BlackBerry, a Motorola era uma das preferidas entre consumidores de maior poder aquisitivo, com ícones como o StarTAC e o Razr V3.

A mais recente iniciativa nesse sentido é a linha Signature, recém-lançada. Com preço próximo de R$ 9 mil e câmeras de alta performance, a Motorola quer capturar parte do mercado de ultraluxo que, segundo a consultoria IDC, deve atingir 112 milhões de unidades globalmente em 2026 – cerca de 10% do mercado total.

“Identificamos uma oportunidade clara de expandir nossa atuação nesse segmento mais elevado,” declarou Buniac.

A linha Signature representa a segunda grande investida da empresa nessa faixa de preço. A Motorola já lidera a categoria de celulares dobráveis com a marca Razr.

No entanto, mesmo com preços equivalentes ou superiores aos modelos ultrapremium, os aparelhos dobráveis não venderam tanto quanto muitos projetavam.

De acordo com a IDC, a previsão é de que apenas 26,8 milhões de unidades dobráveis sejam vendidas este ano, um crescimento de 30% sobre 2025, mas que ainda corresponde a meros 3% do mercado mundial de smartphones.

A estratégia de oferecer produtos mais sofisticados, porém, tem dado resultado. Em alguns mercados – que não são divulgados – as linhas Razr e Edge (a marca de intermediários premium) passaram de 3% para 30% da receita da Motorola, conforme revelou Rodrigo Vidigal, CEO da companhia no Brasil.

Vidigal destacou que a linha Edge vem ganhando popularidade no ambiente corporativo, onde empresas têm optado por dispositivos mais robustos para seus funcionários, inclusive no Brasil.

“Estamos implementando essa estratégia de crescimento gradual e consistente. Às vezes o ritmo pode ser um pouco mais lento, mas garantindo que nunca haja um retrocesso,” explicou Vidigal. “Esse caminho pavimentou a estrada para o Signature.”

A empresa sabe que não será fácil convencer os fãs da Apple e os usuários da Samsung a trocar de smartphone. “Existe uma inércia considerável, mas nós queremos investir no desejo do consumidor,” afirmou Vidigal.

A aposta da Motorola está no conceito de *lifestyle tech*: deixar de competir apenas por especificações técnicas e preço para também vender design, moda e aspiração.

Para isso, a marca tem patrocinado grandes eventos como a Fórmula 1 e a Copa do Mundo, além de desenvolver smartphones mais estilizados, com cores criadas em parceria com a Pantone.

Esse movimento da Motorola rumo ao segmento ultrapremium acontece em um momento desafiador para a indústria, com fabricantes enfrentando escassez de chips de memória, o que tende a elevar os preços dos aparelhos.

Segundo Vidigal, como a Lenovo é uma das maiores compradoras mundiais de memória, o impacto de uma eventual falta de componentes será menor.

“É claro que seremos afetados pelo aumento dos custos, mas nós nos preparamos para essa situação,” concluiu ele.

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