Muitas das afirmações de Musk não se concretizaram, o que leva a questionar a viabilidade da proposta e quais seriam seus perigos e desafios para a sociedade.
A ideia central é que, na órbita terrestre, livres de nuvens, da atmosfera e dos ciclos diurnos, os painéis solares teriam uma capacidade de geração de energia muito superior à dos sistemas instalados no solo. Conceitualmente, a proposta faz sentido e já despertou o interesse de outras grandes empresas de tecnologia, inclusive corporações chinesas.
Por meio de sua iniciativa Suncatcher, o Google pretende colocar dois satélites experimentais em órbita já em 2027, em colaboração com a Planet Labs, utilizando seus próprios chips TPU para inteligência artificial. O objetivo futuro é estabelecer uma rede de satélites interligados que funcione como um centro de dados distribuído no espaço.
O obstáculo da viabilidade financeira
A questão, no entanto, começa pela viabilidade econômica. Rebekah Reed, ex-diretora associada da NASA e pesquisadora de Harvard, publicou uma análise no Financial Times indicando que, para o projeto ser financeiramente sustentável, o custo de lançamento por quilograma precisaria ficar abaixo de 200 dólares.
Essa meta representa uma redução sete vezes maior em relação aos valores atuais, um ritmo que, mesmo nas projeções mais otimistas, dificilmente será alcançado antes de 2030.
Desafios técnicos e de manutenção
Mesmo que os custos caiam, persiste o desafio da manutenção. Enquanto a falha de um chip em um data center terrestre pode ser resolvida por um técnico, em órbita as opções seriam recorrer a reparos robóticos ou conviver com a obsolescência tecnológica e o aumento do lixo espacial.







