A plataforma GeoSpy, baseada em inteligência artificial, despertou interesse ao anunciar que consegue determinar a posição geográfica de praticamente qualquer imagem em poucos segundos, mesmo sem metadados ou dados de GPS.
Criada pela Graylark Technologies, dos Estados Unidos, e lançada em dezembro de 2023, a ferramenta afirma ter atuado em mais de dez mil casos ao redor do mundo, com uma precisão que pode chegar a cerca de um metro.
Como a tecnologia funciona
Segundo a empresa, o sistema não usa dados EXIF nem coordenadas inseridas na foto. A análise foca exclusivamente nos pixels da imagem, decifrando elementos como estilo arquitetônico, vegetação, condições de luz, organização urbana, letreiros e tipo de pavimento.
Entre os exemplos citados estão tons específicos de hidrantes em certas cidades, nomes de ruas que aparecem parcialmente, anúncios em estabelecimentos e características típicas de uma região. Quando combinados, esses indícios permitem deduções mais precisas.
De acordo com os desenvolvedores, o país pode ser identificado em milissegundos, a cidade em cerca de um segundo e a rua em aproximadamente dois segundos, variando conforme o contexto da foto.
O relatório fornece as coordenadas de latitude e longitude, uma visualização em mapa, uma representação interativa em 3D e uma indicação do nível de confiança da previsão.
O processamento da informação, segundo o site, é instantâneo, com respostas normalmente em menos de meio minuto.
Treinamento com um vasto acervo de imagens
A iniciativa se baseia em um conceito considerado complexo na área de visão computacional: treinar a inteligência artificial com uma quantidade enorme de fotos vinculadas a locais reais, conhecidas como “localizações de referência”, para que o algoritmo aprenda padrões quase imperceptíveis ao olho humano.
A Graylark Technologies afirma que o sistema foi treinado usando milhões de fotografias geolocalizadas.
Os fundamentos dessa inovação remontam a pesquisas científicas anteriores, como o projeto IM2GPS, dos pesquisadores James Hays e Alexei Efros, que usou mais de seis milhões de imagens com GPS para demonstrar como a interseção em larga escala de informações visuais pode criar mapas de probabilidade para localização.
Esse tipo de estudo é considerado uma das bases que permitiram o desenvolvimento das atuais plataformas de geolocalização por imagem.
Aplicações e possíveis preocupações
Entre as utilidades listadas pela empresa estão investigações criminais, verificação de material, confirmação de locais em notícias, comprovação para seguros, due diligence empresarial e análises de inteligência de fonte aberta (OSINT).
A plataforma também é descrita como uma ferramenta para detectar fraudes em seguros, marketplaces e aplicativos de relacionamento, além de auxiliar na avaliação de riscos e no trabalho de órgãos de segurança.
A empresa afirma que a tecnologia ainda pode ser útil para pessoas comuns curiosas sobre a origem de imagens virais ou de fotos de viagens.
De acordo com a Graylark, o processo funciona mesmo quando redes sociais removem informações de localização das fotos. Isso significa que uma selfie, uma foto da varanda ou uma imagem casual da calçada podem conter indícios suficientes para sugerir a área onde foram tiradas.
Apesar do avanço técnico, a organização ressalta que a ferramenta não substitui a avaliação humana e deve funcionar como um complemento ao trabalho de investigadores e especialistas.






