O Centro Prisional Feminino de Cariacica realizou uma nova sessão de fotos profissional para registrar os primeiros momentos de vida das crianças que vivem com suas mães no alojamento materno-infantil da instituição.
Intitulado “Da Gestação para a Vida”, o projeto existe desde 2019 e assegura o direito à memória e a um tratamento digno durante a primeira infância. Atualmente, três recém-nascidos estão abrigados no berçário, onde devem permanecer até completarem seis meses, conforme estabelece a Lei de Execução Penal.
Segundo a diretora do CPFC, Patrícia Castro, a iniciativa busca garantir o registro dessa fase, utilizando um cenário preparado e divertido que não lembre um local de encarceramento.
“A ideia surgiu para que esses bebês tenham a documentação de seus primeiros meses, algo comum em um contexto de liberdade. É uma forma de permitir que guardem essa fase única do começo da vida, sem sofrer privações pelos erros de suas mães. Ao mesmo tempo, no alojamento materno, proporcionamos dignidade na primeira infância, oferecendo toda a assistência necessária aos pequenos e incentivando as detentas no exercício da maternidade e na construção do vínculo afetivo com seus filhos”, afirmou.
As fotos são tiradas pela voluntária Luana Andrioli, que já registrou mais de 40 crianças que passaram pelo alojamento materno. Ela destaca a alegria de poder imortalizar esse momento para os bebês. “Há oito anos participo desse projeto e, em todas as sessões, meu coração se enche de carinho e gratidão por poder fotografá-los. Sem essa ação, eles nunca saberiam como eram nesse período. É extraordinário transformar algo que poderia ser triste em felicidade, gratidão e afeto”, comentou Luana, que fornece as fotos digitais do ensaio para a família da mulher presa.
Ambiente lúdico e humanizado
Na sessão fotográfica mais recente, três bebês, com dois, três e cinco meses de vida, foram fotografados em um cenário com tema de Páscoa, repleto de coelhinhos, mantas, bichos de pelúcia e uma atmosfera que incentiva o cuidado materno. “A Lei de Execução Penal garante que as mães fiquem com seus filhos na unidade prisional por até seis meses, até que ocorra a separação, após o período de amamentação e a definição de um responsável pela guarda provisória. Por isso, enquanto estão no sistema, procuramos tornar o espaço mais humano, lúdico e saudável”, explicou Patrícia Castro.
Durante o período de amamentação, as internas permanecem no alojamento materno com os filhos, onde recebem assistência médica, orientações sobre cuidados com os recém-nascidos e acompanhamento psicossocial. O local conta com quartos decorados e pinturas com motivos infantis, além de uma brinquedoteca, formando um ambiente humanizado e favorável ao desenvolvimento da criança.







