Após treze anos de espera, Lucas Lyra finalmente recebeu a notícia que aguardava: o homem que atirou em sua cabeça foi preso.
O crime aconteceu em 16 de fevereiro de 2013, perto do Estádio dos Aflitos, no Recife. Lucas, então com 19 anos, chegava para assistir a um jogo do Náutico quando foi atingido durante um confronto entre torcidas. Ele ficou internado por três anos e, desde então, vive acamado, dependendo dos cuidados permanentes da família por causa das graves sequelas. A repórter Simone Santos conversou com os familiares e com o próprio Lucas em uma entrevista emocionante.
José Carlos Feitosa Barreto, segurança de um ônibus de torcedores em 2013, autor do crime, foi detido na última segunda-feira, dia 16, após cumprimento de mandado expedido pela Justiça de Pernambuco.
O “sono dos justos”
Para Cristina Lyra, mãe de Lucas, a notícia da prisão trouxe o alívio de uma década de espera. Ela contou que, pela primeira vez em treze anos, conseguiu dormir em paz. “Foi como se uma tonelada fosse tirada de cima de mim. Meu filho não é mais só um número nas estatísticas da impunidade”, disse.
A rotina da família é de dedicação total. Lucas precisa de monitoramento constante, vinte e quatro horas por dia, devido ao risco de engasgos, que podem ocorrer até quando ele sorri ou se emociona. Sua irmã, Mirella Lyra, destaca que a batalha por justiça foi desgastante, mas essencial. “Lutar por justiça cansa, mas essa vitória é de toda a sociedade que clamou conosco”, afirmou.
Experiência de quase morte
Em uma conversa tocante, o próprio Lucas Lyra falou sobre a prisão. Com certa dificuldade na fala, mas lúcido e sorridente, expressou o que sentiu ao saber da notícia e lembrou o momento em que foi baleado. “Foi uma notícia maravilhosa”, declarou.
Segundo ele, a família tentou esconder a notícia da prisão, com medo de que Lucas não suportasse a emoção. “Mas a minha fé em Deus me deu forças. Quando soube, soltei uma gargalhada”.
Lucas contou ter vivido uma Experiência de Quase Morte (EQM) no dia do crime, descrevendo uma visão espiritual que lhe deu energia para continuar.
“Cheguei lá, durante aquela experiência, e foi uma visão indescritível. Na frente, acima de mim, um céu azul de verão. De repente, apareceu diante de mim um ser de dimensões inimagináveis, maior até que o próprio sol. Ele me perguntou: o que você está fazendo aqui? Eu, assustado, olhei para trás… ‘Eu morri? Não’… Só Deus pode explicar aquilo… ‘Eu sou Deus. A sua hora ainda não chegou’”, relatou sobre o que viveu.
Apesar de ter tido a juventude interrompida pelo tiro, o jovem mantém o otimismo e deixou uma mensagem de paz para os clássicos do futebol de hoje. A prisão do agressor encerra um ciclo de impunidade, mas a luta diária de Lucas pela sua saúde continua no âmbito familiar.
Entenda o que é EQM
Em seu relato, Lucas menciona ter passado por uma EQM (Experiência de Quase Morte). Esse fenômeno ocorre quando uma pessoa chega muito perto da morte ou é declarada morta por breves momentos e depois retorna.






