O Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Saúde (Sesa), lançou oficialmente o aplicativo “192 Fácil”. A solução digital moderniza a forma de acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) no estado. A ferramenta foi apresentada pelo governador Renato Casagrande, com a presença do vice-governador Ricardo Ferraço e do secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann.
Desenvolvido pela empresa Velp (vSkySamu), o aplicativo foi criado para superar as limitações do método tradicional, que depende basicamente de ligações telefônicas. A nova plataforma estabelece uma conexão direta entre o cidadão e a Central de Regulação das Urgências, enviando automaticamente dados essenciais para avaliar a situação e despachar as ambulâncias.
O objetivo é aumentar a eficiência operacional, reduzir o tempo de resposta e garantir informações mais precisas para a Central. Tyago Hoffmann afirmou que o aplicativo representa um avanço estratégico na rede de urgência, ao integrar tecnologia, precisão e maior acesso ao atendimento. Ele destacou que a ferramenta acelera o socorro, melhora a qualidade dos dados recebidos e amplia o alcance do SAMU, mesmo em locais com sinal de telefonia ruim.
Rapidez e precisão
Um dos principais benefícios do 192 Fácil é a captura automática das coordenadas de geolocalização (GPS) do celular do usuário. No sistema antigo, a localização do incidente precisa ser descrita pela pessoa que liga, o que pode causar atrasos, especialmente em estradas, zonas rurais, lugares mal sinalizados ou quando a pessoa está confusa.
Com o novo aplicativo, as coordenadas são enviadas imediatamente para a tela do operador, permitindo que as equipes sejam despachadas com mais agilidade e exatidão.
Outra dificuldade resolvida pela tecnologia é o conhecido “atrito comunicacional”. Emergências costumam gerar estresse, o que pode atrapalhar o diálogo claro e a coleta de informações clínicas pelo Técnico Auxiliar de Regulação Médica (TARM). O app reduz o tempo de triagem ao fornecer dados organizados de antemão, melhorando a decisão médica e diminuindo falhas na comunicação.
A ferramenta também resolve um desafio antigo: as áreas sem cobertura, as chamadas “zonas de sombra”, comuns em regiões rurais e de terreno acidentado, onde não há sinal de operadora de celular.
A grande inovação do 192 Fácil está na sua arquitetura híbrida de conexão, que combina os sistemas GSM e VoIP. Nessas zonas de sombra, se o cidadão tiver acesso à internet via rede Wi-Fi, o aplicativo permite fazer uma chamada de voz usando a tecnologia VoIP.
Assim, a falta de sinal da operadora deixa de ser um obstáculo intransponível para contactar o SAMU 192, ampliando consideravelmente a cobertura efetiva do serviço e promovendo a equidade no acesso ao atendimento de urgência.
Acessível e gratuito
Desenvolvido com atenção à acessibilidade e inclusão digital, o aplicativo funciona nos principais sistemas operacionais, Android e iOS. Está disponível para download gratuito nas lojas oficiais de cada plataforma.
A ferramenta tem uma arquitetura leve, que exige pouco do processamento do aparelho e consome poucos dados móveis, permitindo seu uso em dispositivos mais simples ou com conexões de internet lentas.
O subsecretário de Regulação do Acesso em Saúde, Gleikson Barbosa dos Santos, ressalta que a iniciativa responde diretamente aos desafios operacionais da rede.
Ele declarou que a ferramenta reduz imprecisões de localização, minimiza falhas de comunicação em momentos críticos e expande a cobertura real do serviço, sendo uma solução criada para qualificar a regulação e oferecer uma resposta mais eficaz à população.
Quando acionar o Samu192
Conforme orientação do Ministério da Saúde, o SAMU 192 deve ser acionado para os seguintes tipos de ocorrência:
- Problemas cardiorrespiratórios (parada cardíaca, parada respiratória, mal súbito);
- Intoxicação exógena e envenenamento (overdose por medicamentos ou drogas ilícitas, ingestão de líquidos tóxicos);
- Queimaduras graves;
- Falta de ar (quando a pessoa não consegue falar uma frase completa ou apresenta lábios e dedos arroxeados);
- Casos de maus-tratos (agressão com múltiplas fraturas, espancamentos, estupros com lesões);
- Trabalhos de parto com risco de morte para a mãe ou o feto;
- Tentativas de suicídio em que houve dano à vida;
- Crises hipertensivas com sintomas cardíacos, alteração de consciência e dores no peito de início súbito;
- Acidentes ou traumas com vítimas;
- Afogamentos;
- Choque elétrico com vítimas;
- Acidentes com produtos perigosos (uso de produtos inflamáveis que cause queimaduras ou intoxicações);
- Suspeita de infarto ou AVC (alteração súbita na fala, perda de força em um lado do corpo e desvio da boca são os sinais mais comuns);
- Agressão por arma de fogo ou arma branca;
- Soterramento ou desabamento com vítimas;
- Crises convulsivas repetidas;
- Engasgos (obstrução que impeça a fala e deixe a pessoa com coloração azulada);
- Outras situações classificadas como urgência ou emergência, com risco de morte, sequela ou sofrimento intenso.







