O Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) de Arboviroses do Espírito Santo completa seu primeiro ano de atividades, reforçando as iniciativas de combate à dengue e outras doenças relacionadas. Criado pelo governo estadual, o centro tem a missão de coordenar uma resposta unificada contra dengue, chikungunya, Zika e Oropouche. Liderado pela Secretaria da Saúde (Sesa) e com a colaboração de várias instituições, o CICC implementou medidas importantes para melhorar a vigilância dessas arboviroses.
O secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann, destacou que esse período foi dedicado a ações de base, que criam os alicerces para um trabalho cada vez mais focado e eficiente. A abordagem inclui tanto o controle do mosquito transmissor quanto a capacitação contínua dos profissionais de saúde, integrando diferentes setores.
Um dos pontos altos foi o investimento em Educação em Saúde, com treinamentos para trabalhadores da rede municipal em diversas áreas. A capacitação abrangeu a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Vigilância em Saúde, abordando temas como controle vetorial e aspectos epidemiológicos.
Através da atuação conjunta do Núcleo Especial de Atenção Primária (NEAPRI) e do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE), ambos da Sesa, mais de 700 profissionais foram capacitados. Entre as atividades, realizou-se o “Seminário de Preparação dos Municípios do Espírito Santo para o Período Sazonal das Arboviroses”, em dezembro.
Paralelamente, o CICC organizou duas campanhas de mobilização contra as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti: uma entre março e abril e outra em dezembro.
Além da Educação em Saúde, os recursos também foram usados para aumentar a transparência das informações, com o lançamento do painel “Monitoramento das Arboviroses no Espírito Santo”. Essa ferramenta oferece um ambiente virtual com dados diários sobre casos de dengue, chikungunya, Zika e Oropouche em todo o estado.
O centro também direcionou esforços para o combate aos vetores, o Aedes aegypti e o Culicoides paraensis (conhecido como maruim ou mosquito-pólvora). Para o Aedes, foram investidos R$ 211 mil na compra de 50 mil kits de ovitrampas. Quanto ao maruim, o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciou estudos para avaliar a eficácia de moléculas inseticidas e repelentes contra esse inseto.
Orlei Cardoso, subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, explicou que o CICC tem permitido expandir as estratégias de enfrentamento às arboviroses de forma coordenada. O trabalho prioriza o combate aos vetores e a capacitação da APS, medidas que ajudam a prevenir a transmissão dos vírus.
Combate ao Aedes com novas tecnologias
No último ano, o enfrentamento ao vetor da dengue, Zika e chikungunya incorporou novas tecnologias com mais intensidade, alinhadas à Diretriz Nacional do Ministério da Saúde. Merecem destaque o uso de ovitrampas e da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI).
Graças ao trabalho dos profissionais do CICC, o número de municípios que realizam monitoramento com armadilhas de oviposição saltou de 15, em 2024, para 58 em 2025. A partir de março, mais oito municípios começarão a usar essa estratégia.
A metodologia das ovitrampas é coordenada pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A estratégia identifica áreas de risco ao monitorar a quantidade de ovos depositados nas armadilhas. Essas informações são cruciais para que as vigilâncias municipais atuem com precisão nas localidades com maior densidade do vetor.
Além das ovitrampas, utiliza-se a metodologia de controle vetorial chamada Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI). Ela é aplicada em todos os 78 municípios capixabas, consistindo na aplicação periódica de inseticida residual em imóveis especiais, como creches, escolas, unidades de saúde e terminais rodoviários, complementando as ações tradicionais de controle.
Junto a esse trabalho, o CICC, por meio do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental (NEVA) da Sesa, promoveu uma série de capacitações para fortalecer as novas metodologias.
Entre os temas abordados nas capacitações estão:
- Estratificação de risco
- Novas tecnologias
- Integração entre agentes Comunitários de Saúde (ACS) e agentes de Combate às Endemias (ACE)
- Monitoramento com ovitrampas
- Atualização do conta-ovos
As capacitações envolveram mais de 200 profissionais. Além disso, em maio, o Núcleo organizou o workshop “Monitoramento Entomológico com Ovitrampas – Avanços e desafios”.
Luana Morati, referência técnica do NEVA e doutora em Biologia, destacou que a ampliação das novas metodologias de controle vetorial e a adesão dos municípios têm ajudado as ações de vigilância. Ela relatou que os municípios conseguem direcionar melhor as ações de enfrentamento com base no monitoramento, e muitos já apresentam redução na infestação por Aedes.
Cenário epidemiológico e capacitações
Apesar de um cenário epidemiológico com números de casos de dengue e outras arboviroses inferiores aos anos anteriores, o CICC manteve as ações para fortalecer os cuidados ao longo do ano.
Em 2025, foram notificados 88.747 casos de dengue, com 32.001 confirmações e dois óbitos. Para chikungunya, houve 5.836 notificações e 2.260 confirmações, sem óbitos registrados. A Zika teve 1.194 notificações, sem casos confirmados. Em relação ao Oropouche, foram confirmados 6.392 casos e um óbito. Todas essas informações estão disponíveis no painel de monitoramento.
Entre as atividades realizadas, as equipes do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE) e do Núcleo Especial de Atenção Primária (NEAPRI) intensificaram as capacitações para profissionais de saúde municipais. No total, mais de 700 profissionais em todo o Estado participaram de nove capacitações.
João Paulo Cola, referência técnica do NEVE, informou que foram realizadas capacitações específicas em resposta a demandas levantadas pelos próprios profissionais e discutidas no CICC, como a investigação de óbitos por arboviroses e o manejo da dor na chikungunya.
Além disso, em dezembro, o grupo promoveu o “Seminário de Preparação dos Municípios do Espírito Santo para o Período Sazonal das Arboviroses”. Cola ressaltou que esse foi um espaço valioso para a articulação entre Estado e municípios na preparação para a próxima sazonalidade.
Sobre o CICC
O Centro Integrado de Comando e Controle das Arboviroses funciona como um núcleo estratégico para o enfrentamento e resposta ao aumento de casos, especialmente de dengue e Oropouche, consideradas epidemias no Espírito Santo. Foi instituído pelo Governo do Estado em 10 de fevereiro de 2025.
Sob coordenação da Secretaria da Saúde (Sesa), o CICC conta com a participação das secretarias da Educação (Sedu) e da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag); do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper); do Corpo de Bombeiros Militar (CBMES); da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC); do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN); da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde; do Conselho Estadual de Saúde (CES); e do Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (COSEMS/ES).






