Com o objetivo de aumentar a independência do país na saúde pública e consolidar a fabricação nacional de medicamentos de alta tecnologia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou nesta quinta-feira o complexo industrial da empresa Biocon, em Bengaluru, na Índia. Durante a visita, ele conheceu as estruturas dedicadas à produção de remédios biológicos, como o pertuzumabe, usado no tratamento do câncer de mama do tipo HER2-positivo, inclusive em sua fase metastática.
Padilha também observou de perto os métodos de fabricação de fármacos baseados em GLP-1, como a semaglutida – frequentemente chamada de “caneta para emagrecer” –, receitada para o controle do diabetes tipo 2 e da obesidade.
O ministro afirmou que esteve em uma das maiores fabricantes globais de medicamentos biológicos e biossimilares, tratamentos modernos para câncer, doenças autoimunes e condições crônicas que se deseja produzir no Brasil. Ele classificou a parceria como fundamental para garantir maior acesso da população a esses remédios e para salvar vidas. A empresa indiana também domina a tecnologia de peptídeos, utilizada em medicamentos para diabetes e controle da obesidade, com potencial futuro para outras enfermidades. A expectativa do Ministério é que essa aproximação entre companhias brasileiras e indianas resulte em novos acordos, maior transferência de tecnologia e ampliação da produção farmacêutica no Brasil, representando um passo importante para a saúde e a soberania nacional em colaboração com a Índia, um parceiro estratégico dos BRICS.
A Índia se consolida como uma das maiores potências no setor farmacêutico mundial, com grande capacidade produtiva, investimentos robustos em inovação e expansão considerável na área de saúde digital.
Hospitais Inteligentes
A agenda do ministro incluiu ainda uma visita à unidade hospitalar da rede Narayana Health, reconhecida internacionalmente pelo modelo de hospital inteligente. A rede, que tem várias unidades na Índia e também atua no Reino Unido e no Quênia, se destaca pelo uso extensivo de tecnologias digitais para acompanhamento de pacientes, prontuário eletrônico unificado, monitoramento em tempo real de equipamentos e gestão orientada por dados. Durante a visita, Padilha se encontrou com o diretor médico e vice-presidente da instituição, Paul Salins.
Segundo o ministro, o Brasil, por meio do Ministério da Saúde em conjunto com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, trabalha para organizar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. Essa ação integra o programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que visa reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde.
O plano prevê uma implementação inicial em treze estados:
- Manaus (AM)
- Belém (PA)
- Salvador (BA)
- Teresina (PI)
- Fortaleza (CE)
- Recife (PE)
- Dourados (MS)
- Brasília (DF)
- Belo Horizonte (MG)
- Rio de Janeiro (RJ)
- São Paulo (SP)
- Curitiba (PR)
- Porto Alegre (RS)
O foco estará nas Unidades de Terapia Intensiva e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, conectado à internet, com monitoramento digital de aparelhos, integração com serviços de ambulância e articulação com as redes locais de atenção à saúde.
Padilha acrescentou que o projeto recebe financiamento do Banco dos BRICS e estabelece parcerias com diversos hospitais que já aplicam o conceito de hospitais inteligentes na China e na Índia. Essa cooperação, segundo ele, consolidará uma parceria estratégica do Ministério da Saúde com essa futura rede de cuidados no SUS.






