Um estudo realizado por pesquisadores da Clark University, EcoHealth Alliance, George Mason University, Universidade Nacional Autônoma do México e da Universidade de São Paulo e publicado na revista Communications, Earth & Environment, do grupo Nature, revela que as terras indígenas da Amazônia Legal têm um papel importante na absorção de poluentes lançados no ar por queimadas, evitando cerca de 15 milhões de casos de doenças respiratórias e cardiovasculares e economizando cerca de US$ 2 bilhões no Sistema Único de Saúde (SUS) todos os anos.
De acordo com a pesquisa, as terras indígenas com floresta mais densa têm protegido populações rurais e urbanas, mesmo aquelas situadas a grandes distâncias, e são responsáveis por 8% da capacidade de absorção das partículas dos incêndios.
O estudo analisou índices de uma década, usando dados do DataSUS e relatórios de satélites da Nasa e do MapBiomas para mensurar as emissões de partículas liberadas por queimadas.
Os pesquisadores destacam que os incêndios florestais na Bacia do Rio Amazonas são responsáveis por 90% das emissões globais de partículas liberadas pelas queimadas, incluindo aerossóis carbonáceos negros e orgânicos, que são os principais componentes das partículas finas que aumentam a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares na região.
Para Paula Prist, pesquisadora sênior da EcoHealth Alliance e principal autora do estudo, o objetivo é provocar uma reação no poder público para que busque ações efetivas de preservação de áreas de floresta.
Ela destaca que os resultados mostraram que mesmo terras indígenas distantes conseguem fornecer esse serviço e resguardar a saúde das populações. A pesquisadora ressalta que os dados foram surpreendentes, mas confirmam a importância da preservação das terras indígenas para a saúde humana.







