Não vacinados têm 56 vezes mais chances de morrer por Covid-19, diz Nésio

Não vacinados têm 56 vezes mais chances de morrer por Covid-19. Já o risco de óbito pela doença nesse público é 30 vezes maior do que em pessoas que tomaram pelo menos uma dose dos imunizantes. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e foram apresentados nesta terça-feira (1°), pelo titular da pasta, Nésio Fernandes, durante coletiva de imprensa transmitida virtualmente.

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Segundo Fernandes, a imunização representa a principal medida de saúde pública capaz de mitigar o efeito do Sars-Cov-2 – nome do novo coronavírus, o causador da Covid-19 – em termos de internação e óbitos. A proporção veio após análise das 152 primeiras mortes causadas pela doença no Espírito Santo em 2022. O cruzamento de dados feito pelos técnicos da Sesa revelou ainda o perfil dessas vítimas: do total de óbitos, 68,42% foram de idosos e 65% de pessoas com esquema vacinal atrasado ou incompleto.

Outro número apresentado na coletiva refere-se às internações. De acordo com a Sesa, 70% dos pacientes internados com a Covid-19 nos hospitais públicos do Espírito Santo não tomaram nenhuma dose ou estão com esquema vacinal incompleto. Ao todo, 95 mil adultos estão nesta situação, contingente que representa 3,7% da população do Estado. Há ainda 262 mil doses disponíveis, mas que os resistentes a tomá-las não procuram.

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Medidas

A taxa de ocupação de leitos obrigou a secretaria a tomar duas atitudes imediatas: a primeira, suspender por 14 dias as cirurgias eletivas essenciais e não essenciais (que podem aguardar até 90 dias para serem realizadas), mantendo apenas as oftalmológicas, de emergência e urgência; e, a segunda, exigir que bares, restaurantes e academias de todo o Estado cobrem o certificado de vacinação de seus clientes e frequentadores.

No caso da suspensão, a medida vale para todos os hospitais da rede pública estadual de saúde e se justifica pela taxa de ocupação de leitos de enfermaria e de UTIs da Covid-19, além do alto número de profissionais da área afastados do trabalho devido à doença. Na rede privada, as unidades com escassez de funcionários pelo mesmo motivo podem suspender os procedimentos eletivos mesmo com ocupação abaixo de 85%.

“Nós estamos notificando, amanhã [quarta-feira, 2], a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre a decisão tomada no Estado das normas estabelecidas pela Portaria [020-R]”, afirmou Nésio Fernandes. Nesta terça, Painel de Ocupação de Leitos da Covid-19, atualizado diariamente pela Sesa, aponta que 80,26% dos leitos de enfermaria e 82,93% das UTIs no Espírito Santo estão preenchidas.

“A partir deste mês de fevereiro, com a atualização da estratégia de expansão de leitos, alcançar aproximadamente mil leitos de UTI e de enfermaria disponíveis para atender pessoas atingidas pela Covid-19 no Estado”, anunciou. Atualmente, existem 679 leitos de UTI (375) e enfermaria (304). Após a ampliação prevista, o Espírito Santo deve contar, ao todo, com 2.197 unidades.

Quanto ao passaporte da vacina, a medida foi acordada com o setor de bares, restaurantes, eventos e academias de ginástica do Estado, segmentos estes entre os mais afetados pela crise econômica e financeira gerada pela pandemia. Em contrapartida, o Governo se comprometeu a não adotar restrições de horários nos municípios em risco moderado – hoje são sete: Alfredo Chaves, Anchieta, Cariacica, Montanha, Piúma, Serra e Vila Velha.

“Nós adotamos o passaporte da vacina na perspectiva de estimular a completude do esquema vacinal de toda a população. Por isso, o passaporte exige o esquema vacinal completo, porque muitas vezes a população acaba tomando a primeira e a segunda dose e perdendo o prazo para tomar a terceira dose”, justificou.

Imunização nas escolas

Nésio Fernandes anunciou a meta de atingir 90% da população completamente imunizada, ou seja, com as duas doses e a dose de reforço contra a Covid-19, até o próximo mês de junho. A taxa contempla crianças a partir dos cinco anos, que começaram a ser vacinadas no dia 15 de janeiro.

“Nós pactuamos com os municípios capixabas e estamos lançando o desafio de, até o dia 15 de março, garantir a disponibilidade de que todas as crianças capixabas tenham a oportunidade de serem vacinadas. Nós queremos alcançar uma cobertura vacinal superior a 90% da população com duas doses ainda neste semestre. Queremos garantir, incluindo nesta cobertura, as crianças e adolescentes”, disse Fernandes.

A estratégia para vacinar o público infantil inclui intensificar as campanhas de vacinação nas escolas. Para isso, a plataforma Vacina e Confia, do Governo do Estado, terá um atalho para que pais, mães e responsáveis agilizem a autorização para que seus filhos e tutelados recebam a vacina nas escolas públicas da rede estadual e também municipal.

“Haverá um botão de acesso rápido para a autorização dos pais de vacinação dos menores. Nós queremos garantir que o retorno das aulas aconteça num ambiente de ampla mobilização pela vacinação das nossas crianças”, defendeu Fernandes.

A autorização por meio da plataforma já existia desde o ano passado, mas, devido à ocorrência de equipes de saúde impedidas vacinar adolescentes que, muitas vezes, não traziam consigo as declarações de pais e responsáveis autorizando a vacinação, a Sesa resolveu tornar mais ágil e menos burocrática a concessão desse documento.

“É inegável para essa Secretaria e para a comunidade científica o efeito na redução do risco de óbito e hospitalização das pessoas com esquema vacinal completo. Por isso é importante que toda a população capixaba se mobilize pela vacinação da nossa família”, enfatizou o secretário, que teve sua fala complementada na sequência pelo subsecretário de atenção em saúde Luiz Carlos Reblin.

“A meta é vacinar todo mundo, e a grande oportunidade agora, com as crianças, é na escola. A escola é o espaço da criança e é lá o ponto principal para que a gente possa nos próximos dias acelerar muito a vacinação, chegar nesses 90% e proteger a população do nosso Estado contra a doença”, acrescentou Reblin.

A vacinação pediátrica avança no Espírito Santo com uma média de 5 mil doses aplicadas diariamente em crianças de cinco a 11 anos. A secretaria pretende aumentar a média para 7 ou 8 mil doses administradas por dia, somando os períodos de campanha que, geralmente, acontecem às sextas e aos sábados. Recentemente, 14.800 crianças receberam a primeira dose de uma vez, durante um mutirão.

“Compreendemos que temos um desafio grande neste momento de poder convencer a família a vacinar os seus filhos e vencer toda a campanha orquestrada de mentiras que fragilizam a segurança e a confiança da população na vacinação para idades pediátricas”, concluiu o titular da Sesa.

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