O Espírito Santo é o segundo Estado com a melhor cobertura vacinal contra gripe (Influenza) entre os grupos prioritários: 86,3%. Apesar da boa posição, atrás apenas do Amapá (93,1%), a meta preconizada pelo Ministério da Saúde de imunizar 90% da população estadual não foi atingida. Os dados constam no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), atualizados nesta quinta-feira (20).
São seis os grupos prioritários da vacinação contra a gripe. O de maior cobertura vacinal é o dos povos indígenas, que registra 109,4% de taxa de imunização dessa população. Depois aparecem, respectivamente, gestantes (94,7%), crianças (94,2%), puérperas (89,4%), idosos (82,9%) e, por fim, trabalhadores da Saúde (78,5%). Os três últimos grupos ainda não alcançaram a meta do Ministério da Saúde.
De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, Danielle Grillo, houve aumento na procura por vacina da gripe no Estado motivada pela epidemia de Influenza A H3N2 (nova cepa do vírus causador da gripe), confirmada pela secretaria de Estado da Saúde (Sesa) em dezembro de 2021.
“Entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, nós identificamos o aumento da procura pela vacina contra Influenza. Isso reforça uma questão que nós sempre falamos: infelizmente a população não tem ainda a conscientização da importância da vacina como ferramenta de prevenção. Procuram nos momentos de surtos, epidemias e esquecem de manter a caderneta de vacinação em dia e lotam os postos de vacinação”, pontua a coordenadora.
Segundo Grillo, a nova cepa provocou uma situação atípica para o período de festas de final de ano, quando não são esperados muitos casos de gripe. Anualmente, incidência de contaminações é maior entre o outono e o inverno no hemisfério sul, ou seja, a partir do mês de março, com pico entre junho e julho. Essa é uma das justificativas para maior demanda por vacina da Influenza.
“Houve essa antecipação na circulação da cepa, que era esperada pelas autoridades de saúde apenas no ano de 2022. Apesar dos vírus não serem os mesmos, são parentes. Mesmo não tendo a vacina atualizada, a de 2021 já dá um pouco de proteção a essas pessoas. É o que chamamos de proteção cruzada”, explana Grillo, que complementa afirmando que ainda restam cerca de 200 mil doses da atual vacina.
De acordo com a coordenadora, as vacinas são trivalentes, ou seja, protegem contra três cepas distintas. Os novos imunizantes devem chegar aos braços da população no próximo mês de março, quando começa a 24ª Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza. Conforme informações da Organização Municipal de Saúde (OMS), as novas doses vão imunizar contra as seguintes variações: Ifluenza A H1N1, Influenza A H3N2 e Influenza B.
“Nós tivemos uma adesão baixa dos grupos prioritários no período da campanha de vacinação contra a Influenza no primeiro semestre de 2021. Naquele momento, ocorria simultaneamente a vacinação da Covid-19, com públicos prioritários em comum”, ressalva Grillo, acrescentando em seguida que “muitos idosos tomaram a vacina contra a Covid-19 e não retornaram para receber a da Influenza”.
A prioridade dada à Covid-19 ia além do temor ao vírus e foi acentuada pelas orientações existentes à época, quando o Ministério da Saúde determinava uma janela de 14 dias entre a aplicação de doses do imunizante da Covid-19 e de qualquer outro do Calendário Nacional de Vacinação. No segundo semestre, baseada em novos estudos, a pasta recomendou a covacinação.
Hoje, a população acima dos 12 anos pode receber até no mesmo dia essa e outras vacinas, mas, entre 5 e 11 anos, é preciso aguardar 15 dias. Essa liberação para a população geral acima dos 12 anos se vacinar contra Covid-19 e outras doenças ainda não fez com que o público idoso alcance a meta de imunização da gripe.
“Muitos idosos tomaram a vacina contra a Covid-19 e não retornaram para receber da Influenza. No segundo semestre, o Ministério da Saúde, baseado em novos estudos, recomendou a covacinação”, afirma Grillo, que reforça. “Orientamos aos municípios que aproveitem todas as oportunidades para vacinar seus idosos, público em que mais se agravam casos e ocorrem mortes por complicações da influenza”.
Em todo o Estado existem cerca de 500 postos de vacinação fixos ou volantes. Danielle Grillo recomenda a quem não se vacinou que procure se informar nas prefeituras de seus municípios, responsáveis pela estratégia de imunização, seja por agendamento ou por livre demanda.






