Um fragmento de cerâmica com inscrições cuneiformes, descoberto por arqueólogos em Jerusalém, comprova que a cobrança de impostos na região já ocorria antes do nascimento de Cristo. Datado de cerca de 2.700 anos atrás, o artefato foi encontrado perto do Monte do Templo e parece ser uma notificação fiscal enviada pelo Império Assírio ao rei de Judá, então um reino vassalo.

A inscrição menciona o “primeiro dia do mês de Av” e um funcionário chamado “portador das rédeas”, responsável pela comunicação entre a administração assíria e os territórios sob seu domínio. Segundo o especialista Peter Zilberg, o pedaço de cerâmica provavelmente fazia parte de um selo usado para validar documentos oficiais.

Anunciado pela Autoridade de Antiguidades de Israel, o objeto é do período entre os séculos VIII e VII antes de Cristo. Sua descoberta confirma narrativas bíblicas que citam tributos entregues por soberanos como Ezequias, Manassés e Josias.

Outras descobertas arqueológicas em Jerusalém
Em abril de 2025, pesquisadores anunciaram a identificação, em Jerusalém, de possíveis vestígios que podem indicar o local do sepultamento de Jesus, conforme descrito nas escrituras.

A revelação aconteceu durante escavações na Igreja do Santo Sepulcro, local tradicionalmente associado à crucificação e ao enterro de Cristo.

Estudos sugerem que o ambiente coincide com a narrativa do Evangelho de João, apresentando indícios de um jardim com oliveiras e parreiras.

Jerusalém: uma cidade milenar
Com uma história que se estende por milênios, Jerusalém está entre os centros urbanos mais antigos e significativos do planeta.

Localizada em uma área montanhosa entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto, a cidade fica no território do atual Estado de Israel.

Jerusalém é considerada sagrada para três das principais religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Para o judaísmo, a cidade é venerada como o local do antigo Templo de Salomão, que guardava a Arca da Aliança e servia como centro da vida religiosa judaica.

O Muro das Lamentações, vestígio do Segundo Templo destruído pelos romanos em 70 d.C., permanece como um ponto de oração e peregrinação para fiéis judeus de diversas nações.

Os cristãos consideram Jerusalém sagrada por ter sido o palco da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Locais como a Via Dolorosa e a Igreja do Santo Sepulcro, ligados à crucificação e à ressurreição, atraem inúmeros peregrinos.

No islamismo, Jerusalém ocupa a posição de terceiro local mais sagrado, depois de Meca e Medina.

A cidade abriga a Esplanada das Mesquitas, onde ficam a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha. A tradição islâmica relata que foi dali que o profeta Maomé ascendeu aos céus.

Uma história de conquistas e reconstruções
Ao longo dos séculos, Jerusalém foi alvo de múltiplas conquistas, destruições e reconstruções. Seu domínio passou por egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes, cruzados, otomanos e britânicos.

Após a Segunda Guerra Mundial e a fundação do Estado de Israel em 1948, a cidade se transformou em um epicentro de disputa entre israelenses e palestinos.

Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, embora Jerusalém seja oficialmente designada como capital de Israel.

A cidade está dividida em duas partes principais: a Ocidental, de maioria judaica e sob controle israelense desde 1948.

E a outra parte, que engloba a Cidade Velha e foi anexada por Israel após a Guerra dos Seis Dias em 1967, uma ação não reconhecida pela maior parte da comunidade internacional.

A Cidade Velha é reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e se divide em quatro bairros: judeu, cristão, muçulmano e armênio. Em seu interior, concentram-se muitos dos principais sítios sagrados das três religiões abraâmicas.

Patrimônio cultural e tensões contemporâneas
Além de seu valor religioso, Jerusalém possui um rico patrimônio arqueológico e cultural. Instituições como o Museu de Israel, que abriga o Santuário do Livro com os Manuscritos do Mar Morto, proporcionam um mergulho profundo na história milenar da região.

Apesar de sua beleza espiritual e cultural, Jerusalém também é um local marcado por tensões e conflitos. A convivência entre diferentes comunidades é frequentemente desafiada por disputas territoriais, políticas e religiosas.







