O resedá, cientificamente chamado de Lagerstroemia indica, conquistou seu espaço nas cidades brasileiras por um motivo muito prático: sua eficiência. Sua floração abundante, que exibe cores como rosa, lilás, branco e vermelho, cria um efeito visual impressionante, especialmente nos meses mais quentes. No entanto, sua beleza não é o único atrativo. Essa árvore é uma opção estratégica para a arborização urbana.
Nativa da Ásia, a Lagerstroemia encontrou um ambiente propício no clima tropical e subtropical do Brasil. Com altura média entre 3 e 6 metros, ela pode ser plantada em calçadas sem prejudicar a fiação elétrica ou as estruturas ao redor. Essa característica é fundamental para sua popularidade em bairros residenciais.
Um espetáculo de cores nas ruas
A época da floração transforma a paisagem. As copas se enchem de cachos densos e ondulados, produzindo um efeito decorativo que chama a atenção. É justamente essa explosão de cores que a torna presença constante em ruas planejadas e áreas de condomínio.
Segundo a arquiteta paisagista Renata Guastelli, “o resedá é muito escolhido para projetos urbanos porque alia um apelo visual forte a uma manutenção simples, além de não ter raízes invasivas que estraguem o pavimento”. O resultado é mais praticidade para quem cuida e para os moradores.
Além do valor estético, a espécie ajuda a amenizar a temperatura nas vias públicas. Embora não seja uma árvore de grande porte, sua copa oferece sombra suficiente para reduzir o calor em passeios e áreas abertas. Em centros urbanos quentes, esse benefício faz toda a diferença.
Cultivo facilitado pela adaptação climática
O resedá se desenvolve melhor a pleno sol. A intensidade de sua floração é diretamente proporcional à quantidade de luz que recebe. A árvore também tolera bem períodos de seca moderada, o que facilita seu cultivo em regiões com verões menos chuvosos.
O solo ideal é bem drenado, moderadamente fértil e enriquecido com composto orgânico. A espécie, porém, não é muito exigente. Uma vez bem estabelecida, precisa basicamente de podas de formação e limpeza, que estimulam novas floradas e ajudam a definir o formato da copa.
O engenheiro agrônomo Eduardo Funari explica que “a poda feita no final do inverno promove uma floração mais intensa na primavera e também ajuda a manter a árvore com um tamanho adequado para o ambiente urbano”. Essa medida simples garante um desempenho ornamental de alta qualidade.
Manutenção fácil e baixo risco estrutural
Uma das maiores vantagens do resedá está no seu sistema radicular, considerado menos agressivo que o de outras árvores comuns nas cidades. Isso reduz o risco de danos às calçadas e de interferências em tubulações subterrâneas. Por isso, ela é frequentemente incluída em programas municipais de arborização.
A espécie também mostra boa resistência a pragas, podendo, vez ou outra, ser atacada por pulgões ou oídio. Com acompanhamento periódico e os cuidados certos, esses problemas costumam ser controlados sem grande dificuldade.
Sua versatilidade é outro ponto positivo. O resedá pode ser cultivado como árvore isolada, em fileiras ou até modelado como arbusto em jardins domésticos. Essa flexibilidade amplia suas possibilidades no paisagismo atual.
Beleza que valoriza o ambiente
Uma via arborizada com resedás não fica apenas mais colorida. Ela transmite uma imagem de cuidado e organização. Estudos sobre paisagismo urbano indicam que locais com arborização bem planejada costumam ter maior valorização imobiliária e proporcionam mais bem-estar aos moradores.
Portanto, escolher a Lagerstroemia para a calçada ou jardim vai além de uma simples decisão estética. Representa um investimento em qualidade ambiental, conforto térmico e identidade visual para o local.
Em suma, poucas espécies combinam, de forma tão harmoniosa, floração exuberante, adaptação ao clima brasileiro e manutenção simplificada como o resedá. É por isso que ela continua ganhando espaço em ruas, jardins e projetos de paisagismo por todo o país.







