13 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Plantar em Niterói: Como Escolher as Espécies Certas

Cultivar plantas em áreas costeiras, como Niterói, exige atenção especial ao vento, à umidade e à presença de sal no ambiente. Esses fatores não impedem o plantio, mas influenciam bastante a escolha das espécies, a preparação do solo e os cuidados com jardins, hortas e espaços verdes próximos ao mar.

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Niterói apresenta cenários variados, incluindo bairros litorâneos, áreas mais altas e regiões urbanas com maior proteção. Cada uma tem um nível diferente de exposição à maresia e aos ventos, o que direciona a escolha por vegetação mais tolerante ao sal e à incidência direta do sol.

Principais desafios que a maresia impõe à vegetação em Niterói

A maior dificuldade está no acúmulo de sal nas folhas e no solo. O sal transportado pelo vento se deposita sobre as plantas, causando desidratação dos tecidos mais frágeis, queimaduras nas pontas das folhas e um desequilíbrio na absorção de nutrientes.

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Nos terrenos arenosos da orla, a água da chuva ou da irrigação escorre rápido, levando os nutrientes e deixando o solo pobre e propenso à seca. Os ventos vindos do mar também podem rasgar folhas mais delicadas, quebrar galhos finos e reduzir a vida útil de flores sensíveis.

Espécies vegetais mais tolerantes ao sal no ar de Niterói

O segredo para um cultivo bem-sucedido perto do mar está na escolha de espécies adaptadas à maresia, muitas delas originárias de restingas ou ambientes costeiros, que possuem folhas espessas, cerosas ou pequenas.

Tanto entre as ornamentais quanto as comestíveis, se destacam plantas que suportam ventania, solo arenoso e a presença de partículas de sal no ar, especialmente quando recebem irrigação adequada e, se possível, algum tipo de proteção.

  • Clúsia (Clusia fluminensis): arbusto ou árvore de pequeno porte com folhas grossas, muito usada como cerca viva em áreas litorâneas.
  • Pitanga (Eugenia uniflora): árvore frutífera de porte médio, resistente ao vento e a níveis moderados de salinidade.
  • Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis): arbusto florífero, adequado para locais com sol pleno e vento não excessivo, desde que bem regado.
  • Espada-de-são-jorge (Sansevieria spp.): planta de folhagem robusta, que tolera ventos e variações de umidade.
  • Agave e outras suculentas: armazenam água nas folhas e suportam calor e ventos carregados de sal.
  • Ervas aromáticas como alecrim, tomilho e orégano, que gostam de sol forte e solo bem drenado.
  • Bananeira, em pontos um pouco mais protegidos do vento direto.
  • Cajueiro-anão e outras frutíferas de clima quente, adaptadas à alta luminosidade.

Como escolher as plantas mais adequadas para cada local em Niterói

A escolha deve considerar a exposição à maresia, a força dos ventos e a quantidade de sol recebida. Em áreas com vista direta para o mar, a prioridade é optar por espécies comprovadamente litorâneas e usar arbustos resistentes como barreiras naturais.

Em ruas internas e quintais protegidos por muros ou construções, a quantidade de sal que chega é menor. Nesses locais, é possível diversificar o jardim, combinando plantas de restinga com espécies urbanas comuns, evitando aquelas mais sensíveis ao sal e ao sol forte.

Além da seleção das espécies, o tratamento do solo é fundamental. Em solos arenosos, a adição de matéria orgânica melhora a retenção de água e nutrientes, e o uso de cobertura morta reduz a evaporação e o impacto dos respingos de água salgada.

A irrigação frequente é crucial em períodos de seca, e lavagens suaves nas folhas com água doce ajudam a remover o excesso de sal. Para plantas em vasos, é essencial garantir uma drenagem eficiente e evitar que o substrato seque completamente, para não concentrar sal nas raízes.

Estratégias básicas para proteger o jardim dos efeitos da maresia

Soluções paisagísticas simples podem amenizar o impacto do sal no jardim. “Quebra-ventos”, como cercas vivas feitas de clúsia ou murta, formam uma barreira inicial contra a maresia e protegem as áreas mais internas.

Organizar o espaço em “camadas” permite usar plantas com diferentes níveis de resistência, posicionando-as de forma estratégica contra o vento e o sal.

  1. Faixa externa: espécies altamente resistentes ao sal e ao vento, como clúsias, hibiscos e suculentas de maior porte.
  2. Faixa intermediária: arbustos de porte médio, frutíferas rústicas e ervas aromáticas para locais com muito sol.
  3. Faixa interna: plantas mais sensíveis, canteiros de horta, vasos decorativos e espécies que precisam de proteção parcial.
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