Quem já tentou cuidar de uma zamioculca e a viu definhar, mesmo com atenção, provavelmente ficou desapontado. Muitos não sabem que o excesso de água pode ser letal para essa espécie, enquanto outras plantas comuns, como a jiboia e o lírio-da-paz, permanecem saudáveis mesmo recebendo mais líquido. O que explica uma diferença tão grande entre vegetais que, à primeira vista, parecem igualmente resistentes?
O excesso de água: o inimigo oculto da zamioculca
A irrigação exagerada prejudica diretamente o sistema radicular da zamioculca. Seus tubérculos subterrâneos, que armazenam líquido, são adaptados a solos secos e bem drenados. Em contato constante com a umidade, essas raízes acabam asfixiadas: o oxigênio desaparece do solo encharcado, o que estimula o desenvolvimento de fungos e bactérias causadores da podridão.
Sua estrutura robusta e folhagem brilhante podem enganar. É comum achar que, por parecer uma planta “forte”, ela precise de mais água. Na verdade, trata-se de uma sobrevivente típica de climas áridos, e sua principal vantagem — a capacidade de reter água — vira um ponto fraco quando a rega vira hábito diário.
Entendendo a resistência da jiboia e do lírio-da-paz
Ao contrário da zamioculca, a jiboia e o lírio-da-paz são nativos de ambientes naturalmente mais úmidos. A jiboia é uma trepadeira de origem tropical, adaptada a florestas onde o solo retém umidade com frequência. O lírio-da-paz, vindo de áreas alagadas, tem raízes acostumadas à umidade e até a pequenos acúmulos de água no prato do vaso.
Essas espécies possuem raízes que conseguem respirar em solo úmido e, no caso do lírio-da-paz, a planta ainda dá sinais visuais quando falta ou sobra água — algo que a zamioculca não demonstra claramente. Esse “alerta” ajuda o cultivador a ajustar os cuidados antes que os danos se tornem irreversíveis.
O erro comum nos lares brasileiros
Em cidades do interior, onde é costume regar todas as plantas “um dia sim, outro não”, a zamioculca costuma ser a primeira a dar sinais de problema. Casas com várias plantas no mesmo lugar tendem a estabelecer uma única frequência de rega, o que beneficia a maioria — menos ela.
A rotina do brasileiro, que costuma colocar plantas na sala e na varanda, reforça esse equívoco. Quem passa o dia fora geralmente cuida delas em momentos específicos, como de manhã cedo ou à noite, acabando tratando todas as espécies da mesma forma. Para a zamioculca, porém, essa abordagem padronizada significa um declínio lento e certo.
Além disso, o uso de cachepôs sem furos ou de pratos que acumulam água agrava a situação. Mesmo com regas esparsas, a umidade fica retida no fundo do recipiente, criando o ambiente perfeito para a proliferação de fungos.
Como evitar a deterioração da zamioculca
A primeira atitude prática é aceitar que, para a zamioculca, menos é mais. O substrato deve ser aerado e com boa drenagem — de preferência uma mistura com areia ou perlita —, e o vaso precisa ter furos generosos. Mesmo que a aparência da planta sugira sede, espere a terra secar completamente antes de regar de novo.
Uma dica útil é levantar o vaso antes de molhar. Se estiver leve, é sinal de que o substrato secou. Se continuar pesado, espere mais alguns dias. A zamioculca não só tolera o solo seco como prospera nele.
Outra estratégia simples é separar a zamioculca das outras plantas e colocá-la num ponto estratégico da casa, como um canto sem luz solar direta e com boa ventilação. Isso ajuda a criar uma rotina de cuidados específica, mais adequada às suas reais necessidades.
Um incentivo à observação atenta
O erro de regar todas as plantas no mesmo ritmo reflete uma mentalidade apressada, comum também em outras áreas da vida. Buscamos soluções universais para questões particulares, quando o que realmente funciona é observar e respeitar a singularidade — até das plantas.
A zamioculca lembra aquele amigo mais reservado: pode não chamar muita atenção, mas, quando bem compreendida, mostra-se forte, adaptável e de presença marcante. Entender suas exigências não é só uma questão de técnica, mas também de cuidado e percepção.
Para os amantes de plantas, aprender a decifrar os sinais sutis e ajustar os tratamentos pode transformar não apenas o jardim, mas também a visão do dia a dia sobre o que é exagero e o que é suficiente.







