Moraes se torna alvo da PF no caso Master e de possível delação de Vorcaro

Uma troca de posições ocorre no STF: Alexandre de Moraes assume o lugar de Dias Toffoli como foco central, ou “alvo direto”, no escândalo do Master. Isso se deve não apenas ao contrato do banco com o escritório da família de Moraes, que envolve 130 milhões de reais – valor bem acima do resort do qual Toffoli era sócio –, mas principalmente porque os vínculos, as trocas de comunicação e as suspeitas são consideravelmente mais graves e substanciais.

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A Polícia Federal lançou sua última investida contra Moraes usando como instrumentos os telefones celulares e, como prova, as mensagens trocadas por Daniel Vorcaro, o banqueiro onipresente que agora está preso. Se o ministro já precisava esclarecer os 130 milhões de reais do Master, agora também é questionado sobre qual seria sua função, ou a expectativa que Vorcaro depositava nele, nesse acordo.

Conforme apurou a jornalista Malu Gaspar, ministro e banqueiro mantinham encontros, telefonemas e troca de mensagens há bastante tempo. Horas antes de ser detido pela primeira vez, em novembro, Vorcaro perguntou a Moraes, via WhatsApp, se havia “alguma novidade” e se ele “conseguiu ter notícia ou bloquear”, mencionando estar numa correria para tentar se salvar.

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Embora não seja uma evidência definitiva, é plausível deduzir que o quase-preso pedia auxílio, informações confidenciais e até a interferência de um ministro do Supremo, cuja família era generosamente remunerada por ele. A questão que fica é: bloquear o quê? A ordem de prisão determinada pela Justiça?

Moraes poderia ter replicado com frases como “não compreendi” ou “sobre o que você fala?”. No entanto, ele respondeu com três mensagens de forma rápida, usando o recurso de visualização única, onde o texto some após ser lido. Essa atitude ampliou tanto as interrogações quanto a percepção de um diálogo profundamente comprometedor. Nessa situação, qualquer incerteza não beneficia o interlocutor.

Estratégia de Vazamentos?

Ao disseminar as informações que chegam à imprensa – e, consequentemente, ao público –, apoiadores do STF criticam a PF por supostos “vazamentos seletivos”. Eles sugerem que haveria uma tática: lançar as acusações contra os dois ministros, mas esgotar primeiro as relacionadas a Toffoli para então concentrar o ataque em Moraes, que se tornou o alvo principal.

Toffoli reagiu com pânico e agiu de forma desastrada. Ele atraiu o caso para si e tomou decisões absurdas em seu próprio benefício e contra a Polícia Federal, até ser pressionado pelos demais ministros a deixar a função de relator. Dessa forma, permanece sob investigação, mas abriu caminho para que Moraes ocupasse a posição de alvo direto. O ministro agora está sob fogo cruzado devido ao contrato milionário, aos relacionamentos com a pessoa inadequada no momento errado e à forte suspeita de que Vorcaro não pagava por serviços advocatícios, mas por um aliado no topo do Judiciário. Mais um anti-herói no cenário brasileiro?

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