A violência nas escolas ocupou o centro do debate na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Espírito Santo em uma reunião na última segunda-feira, dia 23. O tema ganhou urgência após um incidente em 19 de março, quando um adolescente de 13 anos agrediu um colega da mesma idade com uma faca dentro de uma escola pública no bairro Jardim Camburi, na capital. A vítima recebeu atendimento médico e, apesar dos ferimentos graves, não teve sequelas permanentes. De acordo com as informações apuradas, não havia nenhum relacionamento prévio entre os dois estudantes.
Durante o encontro, o deputado Fabrício Gandini defendeu a ampliação da discussão sobre medidas preventivas. Citando o caso recente e o ataque em Aracruz, ocorrido em novembro de 2022, ele observou que o assunto costuma voltar à tona apenas após episódios graves. “Percebemos que esse debate sempre ressurge depois de um fato como esse. Houve o episódio em Aracruz e, agora, em Jardim Camburi, uma situação parecida. Precisamos avançar para esclarecer pontos que a sociedade já levanta e que são adotados em outros países”, afirmou o parlamentar.
Medidas de segurança em debate
O deputado ressaltou que os conflitos escolares refletem um problema social mais amplo, mas argumentou a favor de avaliar iniciativas como a instalação de detectores de metal e o uso de reconhecimento facial. Segundo ele, práticas de outras nações mostram a implementação desses recursos em instituições de ensino. “Vemos nos Estados Unidos várias escolas com altos índices de violência. Em Nova York, por exemplo, sessenta por cento das escolas têm detectores de metal, mas é claro que só isso não resolve. Temos proposto que essa discussão aconteça na sociedade, integrada a outros aspectos, como canais para denúncias de ameaças. É preciso ter psicólogos nas unidades para entender o contexto, acompanhar o comportamento dos alunos (…). Tudo isso contribui para um ambiente mais seguro para nossas crianças”, declarou.
Contraste nos protocolos de segurança
Uma participante da reunião também destacou a diferença entre os procedimentos de segurança do prédio do Legislativo e os das escolas. “Ao chegarmos aqui, passamos por um corredor com identificação, revista, câmeras, reconhecimento facial e policiais armados. Nas escolas, porém, não há nada disso, só um vigilante patrimonial. É um milagre, o mesmo milagre que protegeu os doze sobreviventes daquele dia tão doloroso. As escolas, no entanto, continuam desprotegidas”, relatou.







