12 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

União Progressista e a federação nas eleições do Espírito Santo

Num cenário eleitoral acirrado como o que se desenha para o Governo do Estado, a União Progressista emerge como peça decisiva. Essa federação partidária é a mais cobiçada pelos pré-candidatos ao Palácio Anchieta, com poder para inclinar a balança em qualquer coligação majoritária. Seu valioso tempo de propaganda e seus recursos financeiros, vindos de uma bancada com mais de cem deputados federais, fazem com que todos queiram uma aliança com a chamada “superfederação”.

Continua após a publicidade

Assim como acontece no plano nacional, a união entre União Brasil e Progressistas se consolida como uma força política expressiva no Espírito Santo, com perspectivas concretas de eleger, no mínimo, dois deputados federais no quadro atual. Sob a liderança estadual do deputado federal Josias da Vitória (PP), a União Progressista demonstra maior inclinação para o lado do governador Renato Casagrande (PSB), cujo projeto tem o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como candidato ao governo. Pode-se dizer que, hoje, cerca de três quartos da federação estão alinhados com essa iniciativa.

O próprio Josias da Vitória já declarou publicamente que trabalha com Casagrande na construção da eleição majoritária para governador e senadores. Sabe-se que Casagrande e Ferraço formaram um comitê restrito, que se reúne regularmente para tratar do andamento da campanha no estado. Integram esse grupo Da Vitória, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos – que também preside o União Brasil no estado e é a segunda figura na hierarquia da federação –, e o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, próximo a todos os envolvidos.

Continua após a publicidade

Entretanto, é crucial notar que se fala em “três quartos”. A adesão não é completa. Isso porque uma parcela da federação, representada pelo próprio Josias da Vitória, mantém também diálogo com o grupo que tem em Lorenzo Pazolini (Republicanos) seu nome para disputar o governo, como adversário de Ricardo Ferraço. Da Vitória tem bom relacionamento com Pazolini e com Erick Musso, presidente nacional do Republicanos e articulador político do prefeito da capital. Agora, conforme indicam os movimentos, o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) parece se juntar a essa mesma corrente oposicionista. Inclusive, Da Vitória chegou a convidar Arnaldinho para se filiar ao PP no ano passado.

Em condições consideradas normais, ou seja, antes da possível mudança de lado de Arnaldinho Borgo, o Palácio Anchieta não poderia se dar ao luxo de perder o apoio da União Progressista para uma coligação que provavelmente seria liderada por Pazolini. Agora, essa possibilidade se tornaria ainda mais crítica.

Com Arnaldinho ao lado de Pazolini durante a campanha, a disputa no Espírito Santo teoricamente ficaria mais equilibrada. Contudo, se o União Brasil migrar para a coligação de Pazolini – e se essa aliança contar efetivamente com o apoio de Arnaldinho –, o jogo começaria a ficar bastante favorável ao prefeito de Vitória, colocando em risco o projeto de sucessão do atual governo. Como destacado inicialmente, a União Progressista pode ser o elemento decisivo na atual balança de forças estadual, podendo desequilibrá-la para um lado ou para o outro.

A Condição Fundamental

O que os líderes da União Progressista mais desejam e consideram indispensável para selar um apoio definitivo a qualquer candidato a governador? A resposta é direta: auxílio na composição da chapa da federação para eleger deputados federais.

Atualmente, a federação conta com quatro nomes com potencial competitivo no estado: pelo PP, os deputados federais Evair de Melo e Josias da Vitória; pelo União Brasil, Marcelo Santos e o secretário estadual do Meio Ambiente, Felipe Rigoni.

No entanto, a base dessa chapa apresenta certa instabilidade. Dependendo dos movimentos futuros de alguns de seus integrantes, ela pode perder força significativamente. Nesse cenário, eventuais baixas precisariam ser substituídas por outras lideranças com capital político relevante.

Josias da Vitória pode vir a ser candidato ao Senado, apoiando Ricardo Ferraço ao governo, o que realizaria um antigo desejo do coordenador da bancada capixaba no Congresso.

Evair de Melo também nutre a ambição de concorrer ao Senado, mas, dentro dessa “superfederação”, dificilmente haverá espaço para isso. Ele já foi incentivado por Bolsonaro a tentar uma vaga e, por seu alinhamento, é constantemente especulado para ingressar no PL. O próprio Evair afirmou, na última quarta-feira, que conversa com Magno Malta sobre essa alternativa, mas a vaga no PL, conforme reafirmado por Magno, está reservada para Maguinha Malta.

Por pragmatismo, Evair pode permanecer no PP e concorrer a deputado federal, mesmo que a União Progressista esteja no palanque do governo Casagrande/Ricardo, ao qual ele faz oposição.

Felipe Rigoni, por sua vez, pode deixar o União Brasil e tem mantido diálogo com outras legendas, como Podemos e PSB.

Ciente de seu poderio e capacidade de barganha, a Federação União Progressista aguarda, do governo Casagrande/Ricardo, todo o apoio possível para consolidar sua chapa à Câmara dos Deputados.

Na prática, isso significa garantir a permanência de Rigoni no União Brasil e atrair quadros ligados ao governo que queiram concorrer ao mesmo cargo, como o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli (atualmente no PSDB, mas com saída anunciada), e o deputado federal Messias Donato (do Republicanos, mas leal a Euclério Sampaio, apoiador de Casagrande e Ricardo).

Paralelamente, Marcelo Santos prepara as boas-vindas para filiar ao União Brasil o médico Serginho Vidigal (PDT), também pré-candidato a deputado federal. Caso Serginho integre a chapa, que teria ainda Marcelo, Evair e Da Vitória, a Federação União Progressista teria grandes chances de eleger, pelo menos, três representantes para a Câmara.

Esse suporte à chapa liderada por Da Vitória e Marcelo Santos é a condição final e mais relevante para que a “superfederação” oficialize o apoio a Ricardo Ferraço. Em outras palavras, é o único fator que, neste momento, poderia levar a União Progressista a desistir de apoiar Ricardo e, na reta final, migrar para um palanque adversário, como o de Pazolini. Trata-se de uma questão de sobrevivência política.

Marcelo Santos e seus aliados esperam que o governo lhes estenda essa mão, convencendo alguns parceiros (Enio? Rigoni?) a fazerem um sacrifício eleitoral. Esses “reforços” integrariam a chapa da federação cientes de que têm poucas chances de se eleger; sua função seria servir de “escada”, ajudando a chapa a garantir dois deputados e quem sabe chegar a três, que todos sabem quem seriam: Da Vitória, Evair e Marcelo.

O que levaria um Rigoni, um Enio ou qualquer outro a aceitar tal sacrifício? Especula-se, por exemplo, a promessa antecipada de nomeação para secretarias de Estado no próximo governo, em caso de vitória de Ricardo. Tanto Rigoni quanto Enio são próximos a Ricardo. Inclusive, na formação do terceiro governo Casagrande, em dezembro de 2022, ambos ingressaram no secretariado pela cota do vice-governador.

Aposta na Assembleia: Entre Seis e Oito Deputados

E quanto à chapa para deputados estaduais? É nessa esfera que a União Progressista espera obter seus maiores ganhos. Seus líderes projetam eleger, no mínimo, seis dos trinta assentos. A projeção varia de seis a oito representantes.

Além de Marcelo Santos, que será candidato a federal, a federação conta atualmente com deputados estaduais no exercício do mandato: Marcos Madureira e Raquel Lessa, do PP, e Deninho Silva, do União Brasil. Os três têm reais possibilidades de permanecer na federação para buscar a reeleição. O deputado Adilson Epindula, hoje no PSD, já declarou que migrará para o PP na janela partidária de março. José Esmeraldo, do PDT, pode seguir para o União Brasil. Ambos também são pré-candidatos à reeleição.

O PP ainda pode lançar, em sua chapa, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, o ex-prefeito de São Mateus Daniel da Açaí, o vereador de Vila Velha e ex-deputado Hércules Silveira e o vereador de Cariacica Fernando Santório.

Já o União Brasil pode reforçar sua lista com o vice-prefeito de Linhares, Franco Fiorot, com a vereadora de São Mateus Elcimara da Farmácia, a mais votada do município em 2024, e com a vereadora de Conceição da Barra Ciara da Pesca, a mais votada nas eleições de 2020 e 2024.

Com vários possíveis candidatos com projeção individual em torno de vinte mil votos, essa chapa poderá acumular mais de duzentos mil votos. O quociente eleitoral, que é o total de votos necessário para eleger um deputado estadual, deve ficar próximo dos sessenta mil.

Renzo Mendes como Candidato a Federal

Enquanto isso, Renzo Mendes (PP), vereador de Vila Velha, foi confirmado por Josias da Vitória como candidato a deputado federal. Aliado do prefeito Arnaldinho Borgo, ele entra na disputa sem grandes chances de vitória, dada a força dos outros nomes na chapa.

No entanto, além de contribuir com seus votos para a legenda, ele não ficará sem mandato (ainda possui dois como vereador) e aproveitará o período da campanha para aumentar sua visibilidade, já pensando na próxima eleição para prefeito de Vila Velha, em 2028. Sem a presença de Arnaldinho nessa disputa, o cargo estará completamente aberto.

Continua após a publicidade

Vitória, ES
Temp. Agora
29ºC
Máxima
28ºC
Mínima
23ºC
HOJE
12/02 - Qui
Amanhecer
05:31 am
Anoitecer
06:19 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
6.69 km/h

Média
25.5ºC
Máxima
28ºC
Mínima
23ºC
AMANHÃ
13/02 - Sex
Amanhecer
05:31 am
Anoitecer
06:19 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
6.23 km/h

O Vale do Silício hackeou seu cérebro (e você nem percebeu)

Thiago Luciani

Leia também