Além das contestações judiciais movidas pela oposição, que acusa o ato de configurar propaganda eleitoral antecipada, a apresentação da Acadêmicos de Niterói em tributo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou uma reação política. Políticos e partidos, especialmente os ligados à bancada evangélica, começaram a destacar em plataformas digitais registros de uma das últimas alas do desfile, intitulada “Neoconservadores em conserva”. A ala mostrava figuras de famílias dentro de latas, algumas com elementos que remetiam a símbolos religiosos.
Na internet, políticos e integrantes da direita criaram imagens de famílias, usando ferramentas de inteligência artificial, para satirizar a agremiação, colocando a foto de suas famílias dentro de uma lata e publicando para afirmar que são conservadores.
Descrição oficial da escola
No livreto oficial do enredo, a escola de samba de Niterói explica que os integrantes da ala simbolizam diferentes setores que erguem a “bandeira do neoconservadorismo”. “Entre eles estão: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher da elite (perua), os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos evangélicos”, os quais, “no Congresso, constituem um bloco conservador”, descreve o texto.

Reações políticas às fantasias
As vestimentas da ala provocaram respostas imediatas. Uma das primeiras a se pronunciar foi a senadora Damares Alves.
— Quero expressar minha repulsa e indignação com uma das alas que ridiculariza a igreja evangélica e o agronegócio. Usar recursos públicos para menosprezar a igreja evangélica é inaceitável — afirmou. — A partir de agora, precisamos encarar de maneira diferente o presidente Lula e seus ministros, que validaram este espetáculo — completou.
Nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou que o desfile submeteu “a fé cristã ao escárnio” e que o “Estado laico não permite zombaria e humilhação”, exigindo ainda um pronunciamento da Frente Parlamentar Evangélica. Posteriormente, o presidente da bancada, deputado federal Gilberto Nascimento, classificou a fantasia como “inadmissível” e argumentou que o desfile retratou os conservadores como adversários.
Na mesma linha, o deputado Nikolas Ferreira fez referência às eleições para afirmar que os evangélicos devem se lembrar do desfile “na hora de depositar seu voto”.
Figuras com aspirações presidenciais, como o senador Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticaram o que o filho do ex-presidente chamou de “ataque à fé de milhões de brasileiros”. O governador mineiro acusou a agremiação de praticar preconceito religioso.
Procurada para se manifestar sobre as críticas, a escola de samba não respondeu. Após o desfile, emitiu uma nota declarando que “ao longo de todo o processo carnavalesco, nossa agremiação foi alvo de perseguição. Sofremos ataques políticos e enfrentamos setores conservadores”.







