No cenário econômico atual, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, definiu a política de juros como um período de “calibragem”. Ele ressaltou que a situação exige ajustes precisos, diante de um cenário inflacionário mais favorável e de uma atividade econômica que perde fôlego.
Em um evento em São Paulo, Galípolo detalhou que a política monetária passou por uma fase de juros altos – a Selic atingiu 15%, patamar inédito desde 2006 – com o objetivo de conter a inflação.
“Acredito que agora chegamos a um ponto em que a palavra-chave deste ciclo de política monetária é calibragem”, declarou. “Considero que essa é a palavra fundamental: calibragem.”
Segundo ele, o momento atual exige adaptar a estratégia para acompanhar a trajetória das expectativas e dos preços.
O presidente do BC pediu prudência, afirmando que não é hora de “comemorar vitória”, já que a inflação ainda está acima da meta de 3% ao ano.
Ele mencionou a persistência dos preços e destacou que as projeções para a inflação continuam acima do centro da meta, com “desancoragens de meio ponto” que se mantêm.
Galípolo alerta para desafios na ancoragem das expectativas de inflação
Galípolo chamou a atenção para a dificuldade do mercado em reduzir as previsões de inflação de longo prazo. No Boletim Focus, projeta-se um IPCA de 3,5% tanto para 2028 quanto para 2029.
“Essa desancoragem, daquele meio ponto percentual que não se move há bastante tempo nos horizontes mais longos, nos incomoda bastante”, afirmou Galípolo.
A Selic está atualmente em 15% ao ano, e a última ata do Copom indicou a possibilidade de cortes na taxa a partir de março.
As projeções do Boletim Focus apontam para uma Selic de 12,25% ao ano em 2026 – cenário que se mantém há sete semanas – e uma expectativa de 10,50% ao ano para 2027.
As estimativas para a inflação oficial caíram pela quinta semana seguida. A mediana das projeções recuou para 3,97% no levantamento mais recente do Boletim Focus, contra 3,99% na semana anterior.
O IBGE divulgará nesta terça-feira, 10, o primeiro resultado do IPCA de 2026. O índice havia fechado o ano de 2025 em 4,26%.
Crise do Banco Master
Sobre a crise do Banco Master, Galípolo agradeceu o suporte institucional, citando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e entidades como a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Fazenda.
O presidente do BC relatou que o banco de Daniel Vorcaro enfrentava problemas de liquidez desde 2024, e que a autarquia já exigia ajustes no balanço desde o primeiro semestre daquele ano.
De acordo com Galípolo, o trabalho do BC foi decisivo para a deliberação sobre a venda do Master ao BRB.
Galípolo informou que as ações tomadas pelo BC e pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ajudaram a reduzir os efeitos da quebra do Master.
No âmbito regulatório, Galípolo afirmou que fundos e empresas financeiras não bancárias representam riscos menores para o sistema, por deterem títulos do Tesouro.







