As ruas do Centro de Vitória receberam na tarde desta quarta-feira, 8, o ato 8M Pela vida das mulheres.
Reunindo diversos movimentos sociais e partidos políticos, o ato, que teve início às 14h com concentração na Praça Getúlio Vargas, contou com diversas atividades culturais, entre elas apresentação da Bateria Esquerda Beleza e do Coral Serenata.

Por volta das 16h foi dado início a marcha do ato 8M pela AV Princesa Isabel e marcharam em direção a AV Jerônimo Monteiro.
De acordo com Flávia Soares, militante do PSOL e representante da Organização do 8M, o ato é uma forma de reafirmar a luta contra a violência de gênero: “Estamos aqui para reafirmar nossas lutas e combater toda forma de violência de gênero que só vem aumentando desde o golpe de 2016. Também estamos aqui lutando por justiça contra o massacre neonazista que aconteceu em Aracruz. Estamos pedindo justiça por todas as vítimas e mais respeito e dignidade pela categoria da educação, das escolas atingidas por esse massacre”, destacou a militante.

Mariana Costa, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, lembrou da companheira de luta assassinada no massacre de Aracruz, a professora Flávia Amboss Merçon:
“A gente acha de extrema importância fortalecer o ato, principalmente depois de um ano, de um desgoverno onde sofremos ataques diretamente enquanto mulheres. Nós mulheres somos atingidas, além das barragens, somos atingidas pelo feminicídio e pelo fascismo. Temos uma companheira, a Flávia, que foi assassinada por conta desse modelo de sistema que está aí para acabar com as nossas vidas. Então hoje, junto com outras mulheres, que também estão aqui, com essa luta, com essa pauta, a gente acha de extrema importância estar aqui somando e fortalecendo esse ato”.
Apesar do 8 de Março ser uma data de celebração, para a Presidenta do PSOL/ES, Ane Halama não há o que ser comemorado: “É 8M mas a gente infelizmente não tem nada para comemorar, a continuamos sendo mortas, continuamos com políticas públicas pífias para a população, especialmente a população feminina trans e travesti. Então é importante que se façam políticas públicas de equidade para justiça social e é por isso que a gente marcha hoje com a população capixaba”, explica.

Para a deputada estadual, Camila Valadão (PSOL), o ato é um momento de convergência entre os movimentos e as lutas das mulheres: “O 8 de março para nós é uma data importantíssima porque é onde a gente traz para as ruas as nossas pautas. É uma data de reflexão no sentido de problematizar no que a gente conseguiu avançar longos anos e o que a gente ainda precisa avançar. Além de ser uma oportunidade de encontro, de convergência, das lutas dos movimentos e entidades, com pluralidade de mulheres”, destacou a deputada.
O ato 8M reuniu mulheres de diferentes movimentos sociais e também de diferentes idades. Como a jovem Ester Lima, militante do Coletivo Nacional de Juventude (Pajeú), que destacou sua experiência pessoal com o 8M: “O ato do 8M foi muito importante pra mim desde a minha adolescência, porque nesse período passei por alguns processos de assédio e ver o movimento se organizando e defendendo todas essas mulheres foi algo que influenciou muito na minha vida no decorrer da adolescência”, conta.
O levantamento do Monitor da Violência divulgado nesta semana apontou que em 2022 o feminicídio cresceu 2,6% em relação ao ano anterior, o Brasil teve 3,9 mil homicídios dolosos (intencionais) de mulheres no ano passado, foram 1,4 mil feminicídios, o maior número já registrado desde que a lei entrou em vigor, em 2015.

Para Junia Zaidan, da diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo – Adufes, esse contexto de violência reforça a importância do 8M: “Essa data se torna cada vez mais importante, marcante e expressiva no Espírito Santo, porque nós somos um dos estados mais violentos do Brasil e isso automaticamente já gera uma reação em todas as pessoas que se importam com a vida das mulheres”, destaca.
A violência contra as mulheres no Espírito Santo assola tantos as mulheres da capital, quanto do interior, como destaca a militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ednalva Gomes: “Nós, mulheres, somos as mais afetadas por essa falta de políticas públicas no Espírito Santo e no Brasil. Nos últimos anos tivemos muitos homicídios no Espírito Santo e também no campo, e estamos aqui lutando, porque avaliamos que há necessidade de um programa com mais assistência para as mulheres, contra essa violência”.

Para Eliandra Fernandes, da Direção do MST, a luta é de todos, “Nós do MST estamos na capital desde o dia 6 em uma Jornada Nacional de Luta. Estamos juntas com as companheiras urbanas nessa luta, que é uma luta do campo unitária, com a bandeira da luta contra violência, a luta pelos direitos das mulheres, pela terra e pela reforma agrária que também é uma luta de todos.”







