Desde a segunda-feira, 6, mais de 250 mulheres de diferentes movimentos sociais estão acampadas na praça João Clímaco, que fica ao lado do Palácio Anchieta em Vitória.
Estão reunidas no local, representantes do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e das Quilombolas.
O acampamento é uma das ações que fazem parte da Jornada Nacional de Luta contra a violência, pela reforma agrária, pela terra e pelos territórios.
Com o objetivo de dialogar com o governo, reivindicar pautas dos Movimentos e dar visibilidade a suas lutas. Essas mulheres montaram acampamento no dia 6 e devem permanecer até esta quarta-feira, 8, quando é celebrado internacionalmente o Dia da Mulher.

Segundo, Eliandra Fernandes, que faz parte da Direção Nacional do MST pelo Espírito Santo, as demandas dos movimentos necessitam de políticas públicas:
“precisamos de políticas públicas e é isso que nós estamos cobrando do governador Casagrande, principalmente no que trata da obtenção da terra para fins de reforma agrária, que em sua maioria são as terras patrimoniais de estado e devolutas ocupadas pelas empresas de eucalipto no Espírito Santo. A luta é também pelo o direito à moradia urbana, e pelos quilombolas que vivem uma situação de violência e ameaça no norte do estado”, explica.
Em reunião com o governador Casagrande, representantes do MNLM apresentaram os principais pontos de reivindicação do Movimento:
“a gente relatou a situação de grave violação de direitos humanos que tem acontecido aqui no Espírito Santo, em especial com algumas tentativas de despejo clandestino, incluindo o uso de violência e grave ameaça. Também denunciamos o agravamento do déficit ocupacional e o aumento do fluxo de trabalhadores que procuram a ocupação como alternativa de moradia digna.”
Ele continua, “falamos da insuficiência dos abrigos públicos, tanto em quantidade de vagas, quanto em qualidade para atender a população afetada pelo despejo, em especial, as pessoas com deficiência e pessoas infantojuvenis, e por fim, relatamos a iminência do despejo das ocupações em Terra Vermelha que totalizam aí centenas, quase que milhares de famílias que podem ser despejadas”, explicou Bernado, da Direção Estadual do MNLM.
O militante ainda destacou que vê de forma positiva esse diálogo com o governo, “A gente enxerga essa reunião com entusiasmo, como uma possibilidade de iniciar um relacionamento com o governo, de retomar a participação na construção de uma política a nível estadual, pautando o enfrentamento ao déficit habitacional”, destaca.
Segundo Toni Cabano, Dirigente do Partido Socialismo e Liberdade -PSOL/ES, o governo já se comprometeu com essas mulheres:
“Nesse contexto há ameaças à vida, principalmente das mulheres na região dos Quilombolas do Norte do estado e o Estado precisa estar presente, garantir o direito e a vida dos Quilombos, que não podem ficar entrincheiradas devido às ameaças. Quero lembrar que o atual governador no ano passado assumiu compromisso com as mulheres do campo e dos quilombos. Existem mais de 3 mil famílias em ocupações, são famílias que precisam desse teto onde estão, é direito dessas famílias terem moradia e não ficar sujeitas ao despejo. O despejo tem que ser ZERO, muitas dessas famílias são chefiadas por mães solos que não tiveram a oportunidade na vida ou que são jogada ao descaso de um Estado Patriarcal.”







