Trinta e cinco anos após o sucesso estrondoso de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva retorna com uma obra pungente que transcende o relato pessoal para se tornar um documento histórico fundamental. “Ainda Estou Aqui” não é apenas a história de uma família; é o retrato da luta incansável pela verdade em um Brasil marcado por feridas abertas pela ditadura militar.
A obra, que deu origem ao aclamado filme estrelado por Fernanda Torres — indicado a três categorias no Oscar 2025, incluindo Melhor Filme — narra a trajetória de Eunice Paiva, uma mulher de muitas vidas e uma resiliência inabalável.
A Trajetória de Eunice Paiva
Casada com o deputado Rubens Paiva, Eunice viveu na pele as turbulências políticas do país, acompanhando o marido no exílio em 1964. No entanto, o ápice da dor ocorreu em 1971, quando Rubens foi preso por agentes da ditadura, torturado e morto.
Em vez de se deixar abater pela tragédia, Eunice se reinventou. Tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas e pilar de força para seus cinco filhos, criando-os sozinha enquanto mantinha uma postura firme, recusando-se a chorar diante das câmeras.
Memória, Alzheimer e a Verdade Histórica
Em “Ainda Estou Aqui”, Marcelo Rubens Paiva entrelaça a história de sua mãe com um momento doloroso da história brasileira. O autor mergulha na busca para entender o que de fato ocorreu com seu pai em janeiro de 1971.
Ao mesmo tempo, o livro aborda a última luta de Eunice: o combate contra o Alzheimer. Essa metáfora poderosa sobre o apagamento da memória individual dialoga diretamente com a tentativa do país de esquecer ou ocultar as atrocidades cometidas no passado.
Por que ler?
Este livro é uma leitura obrigatória, não apenas por sua qualidade literária e relevância histórica, mas também porque faz parte da lista de leituras do vestibular da UFGD. É um mergulho necessário na memória de um país que precisa conhecer seu passado para compreender seu presente.







