Às vezes, as descobertas mais interessantes acontecem por acaso. Eu não sabia absolutamente nada sobre The Bluff até tropeçar nele por acidente, enquanto vasculhava as novidades do cinema na internet — um hábito meu. Aconteceu um dia antes da estreia no Prime. Vivemos, de fato, uma era de abundância com os serviços de streaming, para o bem ou para o mal. É exaustivo tentar acompanhar todos os lançamentos, e dá até uma certa saudade de tempos passados. Daquela época em que um novo episódio saía por semana, uma temporada de Arquivo X terminava com um “Continua…” e a espera parecia uma eternidade. Ou quando os filmes ficavam em cartaz no cinema por mais de dois meses, e podia levar quase um ano entre a estreia nas telonas e o lançamento em VHS (VHS! Sabe, aquele antecessor do DVD. Que veio antes do Blu-ray. Que veio antes da digitalização. Nossa.)
Chega de divagações. De qualquer forma, The Bluff foi uma grata surpresa. Fazia tempo que eu não mergulhava numa narrativa de pirataria, e só então percebi como sentia falta de passar um tempo no Caribe, entre mosquetes, velhos marinheiros de barba grisalha resmungando e oceanos revoltos. E o elenco: Priyanka Chopra Jones (Chefes de Estado) assume o papel principal como Ercell, a esposa de um pescador que preferia deixar seu passado enterrado na areia. Karl Urban (The Boys, entre outros — ele quase dispensa apresentações) interpreta Connor, o capitão barbudo e vingativo que chega a Cayman Brac atrás de ouro e violência. Temuera Morrison (o próprio Boba Fett) atua como braço direito de Connor.
Uma Aventura Promissora, Mas Rápida
A aventura começa de maneira auspiciosa. É estilosa, ousada, e as atuações são consistentes. Não há muito tempo para pausas: o sangue começa a voar quase imediatamente. The Bluff é um filme violento. Extremamente violento. E, de certa forma, isso é divertido. Em alguns momentos, porém, parece que há um esforço exagerado nesse aspecto — talvez para disfarçar outras deficiências. A tensão, é claro, se mantém constante, e a transformação de Ercell, de esposa inocente de pescador para uma leoa interior com grande aptidão para a violência, é cativante, ainda que excessivamente simplista. Esse tom, no fim das contas, define o filme inteiro. Com pouco mais de 100 minutos de duração, parece uma oportunidade perdida.
Potencial Não Totalmente Explorado
Seria vantajoso desenvolver uma trama mais elaborada, com personagens mais profundos e mais reviravoltas. A produção parece apressada e chega ao fim antes de realmente se estabelecer. Em certos pontos, lembra um piloto estendido para uma série de TV. E isso é uma pena, porque muitos elementos aqui funcionam genuinamente bem. A experiência é divertida, mas eu queria ter um motivo para gostar mais do que consigo agora. Porque, por trás do ritmo acelerado, dos diálogos afiados, dos segredos e de todas as mortes criativas e sanguinolentas, o baú do tesouro soa um tanto vazio.
Dito isso, como entretenimento momentâneo — numa época em que somos mimados com produções luxuosas no streaming —, ele ainda funciona muito bem. Prepare a pipoca, sirva-se de um copo de rum (ou refrigerante!) caribenho e embarque nessa. Você não vai se entediar.







