Exposição Cultura Popular de Vila Velha reúne 15 obras de Romário Batista e destaca sustentabilidade, memória afetiva e tradição canela verde
Quem nunca ouviu uma história daquelas na varanda da avó, jurando que era tudo verdade? Em Vila Velha, essas narrativas ganham cor, textura e até material reciclado. A partir de 6 de março, a Prainha recebe a exposição Cultura Popular de Vila Velha, do artista plástico Romário Batista, em cartaz até 14 de abril no VilaZinha Espaço Arte, dentro da Pousada VilaZinha.
A mostra mergulha nos mitos, nas lendas e na memória afetiva da cidade canela verde, transformando tradição oral em arte visual contemporânea. E sim, tem obra feita com material recolhido das ruas. Se a cidade fala, o artista escuta. E ainda recicla.
Arte, identidade e sustentabilidade
Ao todo, são 15 obras, além de uma escultura e uma mini instalação coletiva criada com crianças e adolescentes do subprojeto Resíduo Vira Arte. A iniciativa une educação ambiental e valorização cultural, duas pautas urgentes no debate contemporâneo.
Romário Batista utiliza suportes e materiais recicláveis coletados em vias públicas de Vila Velha, reforçando um conceito alinhado às discussões globais sobre sustentabilidade nas artes. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco, projetos culturais que integram sustentabilidade e memória local fortalecem identidades e promovem desenvolvimento social.
A proposta dialoga também com tendências da arte contemporânea brasileira, que tem valorizado práticas ecológicas e comunitárias. Não é apenas estética. É posicionamento.
Trajetória além das fronteiras capixabas
Natural de Itamaraju, na Bahia, e radicado em Vila Velha desde 2009, Romário constrói sua poética a partir das lembranças da infância no bairro Santo Antônio. Sua carreira já passou por espaços como o Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, o Centro Cultural da Câmara dos Deputados e a Galeria Nello Nuno, em Minas Gerais. Participou ainda da Bienal Naifs do Brasil no SESC Piracicaba, da Bienal de Artes de Rio Preto e da III Bienal do Sertão.
A exposição conta com apoio da Lei Aldir Blanc de incentivo à cultura, política pública criada para fortalecer o setor cultural, especialmente após os impactos da pandemia.
Cultura que respira território
A escolha da Prainha como cenário não é coincidência. O bairro histórico concentra símbolos da formação do Espírito Santo e funciona como ponto de encontro entre passado e presente.
Visitar a exposição é, de certa forma, revisitar Vila Velha por outro ângulo. É olhar para o cotidiano e perceber que até o que foi descartado pode virar narrativa, pode virar beleza.
No fim das contas, talvez a pergunta não seja o que é arte, mas o que ainda não virou arte. Em Vila Velha, parece que tudo tem potencial. Basta alguém contar a história certa.
Serviço
Exposição Cultura Popular de Vila Velha
Artista: Romário Batista
Período: 6 de março a 14 de abril
Horário: Todos os dias, das 9h às 21h
Local: VilaZinha Espaço Arte – Pousada VilaZinha
Endereço: Rua 23 de Maio, nº 120 – Prainha, Vila Velha
Entrada: Gratuita







