5 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Vitória vai sediar seminário nacional sobre trabalho na cultura em 2026

Seminário reúne artistas, pesquisadores e trabalhadores de todo o Brasil para discutir políticas culturais, dignidade profissional e os rumos do setor criativo

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Se cultura fosse só glamour, todo artista andava de tapete vermelho no bolso. Mas quem vive do palco, da câmera, do som e dos bastidores sabe: por trás do espetáculo existe trabalho, suor, planilha de custos e, muitas vezes, luta por reconhecimento. É exatamente esse “lado B da arte” que Vitória vai colocar no centro do palco em maio de 2026.

Credito: Stel Miranda

05A capital capixaba vai sediar o Seminário Nacional Trabalho na Cultura 2026, um dos principais espaços de reflexão sobre políticas culturais, condições de trabalho e economia criativa no Brasil. O evento acontece nos dias sete, oito e nove de maio, reunindo profissionais de diferentes regiões do país para discutir o presente e o futuro de quem faz a cultura acontecer.

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E não é só para assistir, não. Até o dia seis de março, trabalhadores da cultura, estudantes e pesquisadores podem se inscrever para apresentar resumos expandidos e relatos de experiência, compartilhando pesquisas, vivências e propostas para fortalecer o setor.

Cultura também é trabalho (e dos pesados)

Realizado pela Associação Cultura Capixaba (CUCA) e pelo Movimento Grito da Cultura, o Seminário chega à sua segunda edição com uma proposta clara: transformar experiências em conhecimento e conhecimento em políticas públicas mais justas.

A primeira edição, realizada em 2025 no Museu Capixaba do Negro (Mucane), já mostrou a potência do debate. Agora, em 2026, o número de trabalhos apresentados salta de seis para 24, ampliando vozes, temas e perspectivas.

“A edição de 2026 é a consolidação da produção de conhecimento nesse campo de estudos e vivências. Queremos mobilizar pessoas de outros estados e promover um grande intercâmbio para debater, refletir e construir caminhos futuros. A produção de conhecimento é o que nos leva à refundação das políticas culturais”, afirma Karlili Trindade, presidente da CUCA e integrante do Grito da Cultura.

Em tradução livre: menos improviso nas políticas públicas, mais base sólida para quem vive da arte.

Diversidade no centro do debate

Um dos diferenciais do Seminário é o compromisso com inclusão e representatividade. Dos trabalhos selecionados, 60 por cento serão de autoria de pessoas negras, indígenas, mulheres, população LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, neurodivergentes e moradores de áreas de vulnerabilidade social. Essa curadoria dialoga com dados do IBGE e da Unesco, que apontam a cultura como um dos setores com maior diversidade de trabalhadores, mas também com altos índices de informalidade e precarização. Ou seja, muita criatividade, pouca proteção social. O Seminário surge justamente para discutir caminhos que garantam trabalho digno, sustentabilidade financeira e reconhecimento profissional no campo cultural.

Credito: Stel Miranda

Vitória como polo de pensamento cultural

O crescimento do evento reforça o protagonismo de Vitória no debate nacional sobre políticas culturais. Ao reunir experiências de diferentes estados, o Seminário transforma a cidade em um verdadeiro laboratório de ideias para o setor criativo.

Segundo especialistas em economia da cultura, como o pesquisador David Throsby, eventos de produção de conhecimento são fundamentais para fortalecer cadeias culturais, orientar investimentos públicos e criar ambientes mais justos para artistas e produtores. Na prática, isso significa menos projetos engavetados e mais políticas que realmente funcionem.

Podem submeter trabalhos pessoas que atuam nos mais diversos segmentos da cultura: cinema, teatro, música, artes visuais, produção cultural, gestão, pesquisa acadêmica e ações comunitárias. Cada autor pode enviar um resumo expandido ou relato de experiência, com até três autores por trabalho. Os selecionados serão divulgados no dia dois de abril nos canais oficiais da CUCA e do Grito da Cultura.

As inscrições para ouvintes, com programação completa e local do evento, gratuitas, podem ser feitas até o dia 06 de março, no link aqui.

Mais do que palestras e apresentações, o Seminário Trabalho na Cultura se consolida como espaço de articulação política, troca de saberes e construção coletiva de soluções para um setor que movimenta bilhões no Brasil, mas ainda luta por direitos básicos. Enquanto o público aplaude o espetáculo pronto, eventos como esse cuidam de quem constrói o show desde o primeiro ensaio. No fim das contas, a mensagem é simples e poderosa: sem trabalhador valorizado, não existe cultura forte. Vitória, mais uma vez, mostra que não é só palco de eventos, mas também de pensamento crítico, inovação social e transformação cultural.

 

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Daniel Bones
Daniel Bones
Sou o "Severino do Audiovisual Capixaba", já atuei em diversas áreas como fotografia, edição, sou ator, compositor, produtor e diretor de filmes e TV. Gosto de contar histórias. Ponto Final. (...) Aqui, minha coluna é cultural, mas vive com uma dor postural. Eventos, Arte, Cultura, Cinema e Teatro são comigo aqui! Se quiser, siga essa doideira ai!

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