Três Marias, Uma História: Peça “Três Vezes Maria” apresenta narrativas de mulheres negras em três fases da vida, com entrada gratuita e acessibilidade em Libras
Tem nome que carrega mundo nas costas. Maria, por exemplo. No Brasil, é quase um patrimônio imaterial. E quando o teatro resolve colocar três Marias em cena, pode ter certeza: não é coincidência, é conceito. O espetáculo “Três Vezes Maria” chega ao CRAS Ilha das Flores, em Vila Velha, nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro, sempre às 19h, com entrada gratuita e acessibilidade em Libras.
Com dramaturgia autoral de Duda Serqueira, nome artístico de Adriana Rodrigues de Souza, a montagem propõe um mergulho sensível nas trajetórias de mulheres negras em diferentes fases da vida. São histórias que começam independentes, mas, como boa trama bem costurada, se entrelaçam ao longo da narrativa.
Maria Helena Telemarketing vive a correria entre trabalho, estudo e sonhos apertados pelo boleto do fim do mês. Dona Maria Sacoleira transforma ônibus e ruas em escritório itinerante, sustentando a vida na base da conversa, da coragem e da dignidade. Já Mariazinha costura passado e futuro com fios de ancestralidade e memória.
A peça dialoga com o conceito africano Sankofa, símbolo que propõe “voltar para buscar o que ficou”, não para permanecer no passado, mas para seguir adiante com consciência. A referência, recorrente em debates sobre identidade afro-diaspórica, ecoa também nas reflexões de intelectuais negras contemporâneas que discutem memória, permanência e reconstrução de narrativas.
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Segundo a própria Duda, a dramaturgia nasce de atravessamentos pessoais, memórias familiares e observações do cotidiano. “O simples nunca é simples: ele é matéria viva”, afirma a artista. E é justamente nessa vida comum, no ônibus cheio, na fala atravessada e no silêncio que grita, que o espetáculo encontra sua potência.
Apresentar a peça em um equipamento público como o CRAS Ilha das Flores não é detalhe, é escolha política e cultural. Ao ocupar espaços comunitários, o teatro amplia o acesso e reforça o papel da arte como ferramenta de diálogo social.
Com duração aproximada de 40 minutos e classificação livre, a montagem conversa especialmente com adolescentes e adultos, mas sem fechar portas para ninguém. Afinal, histórias de resistência, trabalho e afeto não têm faixa etária.
No elenco estão Day Dutra, Duda Serqueira e Victoria Murici, com preparação de elenco e voz de Prisca Reis e fotografia de Laura Becalli.
Porque falar de mulheres negras no palco é falar de Brasil. Porque memória não é peso, é raiz. E porque, no fim das contas, cada Maria carrega um espelho onde muita gente pode se reconhecer. Se a vida já é drama, pelo menos que seja com boa dramaturgia. E, nesse caso, gratuita.
Serviço
Peça: “Três Vezes Maria”
Local: CRAS Ilha das Flores – Vila Velha
Datas: 25, 26 e 27 de fevereiro
Horário: 19h
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
Acessibilidade: Intérprete de Libras






