Cinema que pensa o cinema ocupa o Cine Metrópolis: Projeto de extensão da UFES transforma tardes de quarta em encontros para ver, ouvir e discutir o cinema como arte, memória e experiência coletiva.
Se você acha que ir ao cinema é só sentar, apagar a luz e esperar os créditos finais, talvez esteja na hora de rever o roteiro. No Cine Metrópolis, em Vitória, o cinema vira assunto, vira debate e, às vezes, vira espelho. Tudo isso graças a um projeto de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo que aposta em algo cada vez mais raro: assistir filmes com tempo, atenção e conversa depois. Sem pressa, sem algoritmo e sem pipoca gourmet obrigatória.
O projeto “IMAGENS DO CINEMA”, acontece semanalmente no Cine Metrópolis, no campus de Goiabeiras, sempre com sessões gratuitas, abertas a todas e todos, com direito a apresentação, debate e emissão de certificado. Quem conduz a jornada é Fabio Camarneiro, professor do Departamento de Comunicação Social da UFES, que apresenta os filmes e puxa a conversa logo após a exibição.
Segundo o professor, a proposta é simples e potente:
“O projeto é gratuito e aberto a qualquer pessoa, e também é uma maneira de divulgar obras importantes da história do cinema com qualidade de som e imagem”, afirma Camarneiro.
Ou seja, nada de ver clássico em tela minúscula com áudio estourado.
A próxima sessão acontece nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, às 13h, com a exibição de “O céu de Lisboa” (Lisbon Story, 1994), do diretor alemão Wim Wenders. Com duração de 100 minutos, o filme acompanha Winter, um engenheiro de som que percorre Lisboa com o pé engessado em busca de um amigo cineasta desaparecido. No caminho, ele grava sons da cidade, se perde nas ruas da Alfama e se encontra com a música da banda Madredeus, com a voz inconfundível de Teresa Salgueiro.
Mais do que uma narrativa tradicional, o filme funciona como uma carta de amor à cidade e ao próprio cinema. Produzido para o projeto Lisboa 1994 – Capital Europeia da Cultura, o longa reflete sobre imagem, som, memória e a saudade como estado permanente. Tem participações especiais do cineasta Manoel de Oliveira e referências diretas a Fernando Pessoa, misturando drama, ensaio e musical contemplativo. Um filme para ver com os olhos e escutar com calma, coisa rara hoje em dia.
O tema das próximas semanas do projeto é o próprio cinema. Filmes que pensam a linguagem cinematográfica, seus limites e encantos, ocupam a programação até o Carnaval. Depois, o projeto entra em pausa por conta do recesso acadêmico e retorna em março com um novo ciclo temático dedicado à infância, outro território fértil para o audiovisual e para boas discussões.
Iniciativas como essa reforçam o papel do Cine Metrópolis como espaço de formação cultural, não apenas de exibição. Em tempos de consumo acelerado e atenção fragmentada, parar para ver um filme e conversar sobre ele é quase um ato de resistência. E, convenhamos, pensar junto ainda é um dos melhores efeitos especiais que o cinema pode oferecer.
Mais informações podem ser encontradas no Instagram do professor (@fabio.camarneiro), do cinema (@cineclubemetropoliso) ou no site oficial cinema.ufes.br.






